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O Ponto G voltou à pauta

Escrevi em outubro de 2008 uma crônica aqui sobre o Ponto G, o qual, agora acusado de não existir, voltou à baila na imprensa. …

Escrevi em outubro de 2008 uma crônica aqui sobre o Ponto G, o qual, agora acusado de não existir, voltou à baila na imprensa.

Como desconheço os dados e a metodologia da pesquisa realizada numa universidade britânica, este velho repórter perguntaria: Alguma cientista participou? Os resultados foram apenas respostas ou houve tentativas físicas das pesquisadas atingirem o Ponto G?

Explico a minha curiosidade: entre as entrevistadas, houve um número significativo de mulheres afirmando que tinham o tal ponto? Um microuniverso delas foi testado na prática, ou seja, foram induzidas à excitação pelos meios escolhidos por elas mesmas? Quando já excitadas foram submetidas, por cientistas mulheres, à pesquisa digital? Afinal, houve ou não a intumescência a que se refere a literatura sobre o assunto?

O Globo entrevistou um monte de mulheres a respeito e destaco algumas declarações, sendo que a primeira, por ser de Érica Rambalde, sexóloga que vive do comércio de objetos eróticos, é suspeita: “O Ponto G fica no canal vaginal, cinco centímetros para cima, em direção ao umbigo. Há vibradores específicos para aquela região”.

Narcisa Tamborindeguy, jovem senhora da sociedade carioca: “Sem Ponto G a vida não tem a menor graça”.

Apresentadora de TV Pietra De Luca: "Quando descobri o meu, foi um divisor de águas na cama”.

A grande cantora, antiga e saudosa companheira de copo no Antonio’s, Nana Caimmy, revelou tranquilidade: "Não procurei o meu porque nunca tive problemas de gozo, agora é que não vou procurar”.

O assunto lembrou-me o amigo já falecido, Roberto Freire*, escritor, dramaturgo, jornalista, médico e psicanalista, autor, entre outros livros, de Sem tesão não há solução. Falou-me ele (ou escreveu?) que, em Roma, encontrou um cliente de sua terapia SOMA. Como tinham o mesmo itinerário turístico, resolveram continuar a viagem juntos. No hotel, em Veneza, ele testemunhou um pequeno escândalo sonoro envolvendo o amigo e uma turista que resolveram ir para a cama. Acontece que ambos, adeptos do GRITO PRIMAL, abalaram as paredes de um edifício secular transformado em hospedaria.

Esse caso não poderia ter um final mais feliz: casaram-se, foram morar numa fazenda em Mato Grosso e gritaram para sempre.

Aviso aos mais jovens que é prudente, numa primeira relação, usar uma empunhadura no pulso direito, pois me lembro de que, algumas vezes, tive que abafar gritos primais da parceira. As marcas (ou troféus?) foram consequências inevitáveis.

Sempre me preocupei com a preservação do meio ambiente e, como também existe o Ponto G masculino, sinto que a gente deve se preocupar com o habitat para casais sensíveis aos respectivos Pontos G e praticantes, como John Lennon e Yoko Ono, do Grito Primal. A preservação de nossas florestas, como Amazônia, Atlântica e as do Planalto Central, garantirá espaços acústicos propícios às grandes manifestações de orgasmo. Beleza pura!

Inté.

*Roberto Freire trabalhou em teatro, televisão e cinema. Formou-se em Medicina na Universidade do Brasil em 1952, depois em psicanálise. Interrompeu por 10 anos suas atividades na área, quando atuou no teatro e no jornalismo. No teatro, “Quarto de Empregada” foi um dos seus êxitos. Na televisão, obteve grande sucesso com “Malu Mulher”, “A Grande Família” e “Obrigado, Doutor”. Estivemos juntos diversas vezes, inclusive em Porto Alegre, quando presidia o Serviço Nacional de Teatro.

Leitores na vitrine:

A José Carlos Pellegrino, Lúcia Aguiar, Norma Xavier, Ruth Negrini e Sílvia Wolff,o obrigado pelos emails relativos à crônica “Pieguice Despudorada”.

Autor

Mario de Almeida

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