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O primeiro anúncio comercial feito 100% com inteligência artificial

Por Paula Beckenkamp

A gente sabe que criar vídeos com Inteligência Artificial não é algo novo. Especialmente se for para produzir fake news, imagens sarcásticas e pejorativas ou algo do tipo.

A novidade, agora, é que foi criado um produto comercial, com veiculação que tem por objetivo vender um produto: mais especificamente, uma pasta de amendoim.

E, fugindo da lógica, o anúncio da pasta de amendoim não é americano. Embora tenha sido feito a pedido de uma empresa dos Estados Unidos, a LIFT é uma agência israelense.

O que chama atenção no anúncio é a altíssima qualidade e refinamento, tornando praticamente impossível distinguir se o trabalho foi feito por humanos ou não. É um vídeo estilo desenho animado e, se formos pensar que não foi roteirizado e idealizado por pessoas, mas criado por uma máquina, chega a assustar.

Basicamente, a Inteligência artificial criou um anúncio em que vários cachorros, em uma sequência de cenas, aparecem desejando a pasta de amendoim. Ao fundo, uma linda ópera tocando e, ao final, a frase: “feito para humanos, mas desejado por todos”. É genial, dada a simplicidade e ataque certeiro no público alvo.

Essa experiência será cada vez mais comum no nosso dia a dia e não vamos sequer parar para pensar se algo foi feito por humanos ou pela Inteligência Artificial. Como tudo na vida, há ganhos e perigos. Para que haja um equilíbrio entre ambos, o Direito necessita estar vigilante e acompanhar a velocidade das inovações tecnológicas.

É utopia acreditarmos que vamos ter legislação para tudo, quanto mais prevendo todas as possibilidades (boas e ruins) que a tecnologia nos traz. No entanto, é nosso dever ter ciência dos nossos direitos e fazer uso deles quando toda essa onda tecnológica constante nos afeta.

Questionamentos como: “temos direito de nos sentirmos violados ou incomodados com algo que a Inteligência Artificial criou? Podemos buscar indenização por algo que afetou diretamente a minha vida privada, após uma criação de IA?” vão se tornar muito frequentes e precisamos saber como lidar, canalizar e reagir.

Os princípios do Direito permanecerão hígidos e os direitos dos indivíduos, idem, enquanto as pessoas os requisitarem. Não podemos nos acostumar com a tecnologia a ponto de não reagirmos a algo que nos incomoda; ela não pode dominar o ser humano. Afinal, toda e qualquer tecnologia deve ser criada e permanecer entre nós com o único objetivo de servir às pessoas; nunca o contrário.

Com essa reflexão, quero deixar a mensagem que serve para qualquer época: conheça seus direitos, reivindique-os, não os negocie por qualquer inovação ou tecnologia, por mais incrível que ela seja. É justamente quando deixamos de nos indignar e de avaliar o quanto prejudicial algo pode ser para nossas vidas, que esquecemos do nosso senso crítico, aquele que nos mantém vivos e unidos como seres humanos.

O Direito pode até não seguir na mesma velocidade que as inovações, mas ele sempre existirá para nós, enquanto formos capazes de pensar sem a interferência de inteligência artificial.

Autor

ond@web

Repórter especial

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