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O segredo que pode arruinar sua vida

“Então, você acha que seu computador está protegido? Prepare-se para más notícias!” (2000Red&Blue, hacker) Em 413 AC, o general ateniense Demóstenes desembarcou

“Então, você acha que seu computador está protegido?

Prepare-se para más notícias!”

(2000Red&Blue, hacker)

Em 413 AC, o general ateniense Demóstenes desembarcou na Sicília com 5.000 homens para atacar Siracusa. Os augúrios dos deuses eram favoráveis e a vitória estaria ao alcance dos atacantes. Mas, durante uma batalha noturna, os gregos se dispersaram e, para tentar se reagrupar, distribuiram uma palavra de código para identificar seus soldados na escuridão da noite.

No entanto, os siracusos interceptaram e decifraram o código grego e logo se infiltraram entre os invasores, atacando-os de surpresa. Quando o sol surgiu, os aturdidos gregos foram dizimados pela cavalaria siracusa. A batalha virou a maré da guerra do Peloponeso.

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Você usa uma combinação aleatória de letras e números. Geralmente, sua data de nascimento ou a placa do carro. Quase sempre, cinco ou seis caracteres, se você é do tipo despreocupado. Ou 12 ou 16, se for do tipo cuidadoso e preocupado em proteger os dados guardados no computador ou laptop.

Eis as más notícias – não importa o tamanho ou a combinação de números e letras que você invente, estas senhas secretas já não funcionam como proteção. Este pequeno segredo pode estragar seu humor – ou complicar muito sua vida.

Durante anos, os especialistas em segurança de dados nos advertiram que era preciso criar senhas – ou passwords – para proteger e-mails,  contas bancárias, números de cartão de crédito, sem falar nas fotos  de seus filhos ou aquela indiscrição enterrada em seu computador, iPad ou smartphone. Mas, não mais do que de repente, os mesmos experts avisam que o tempo das senhas acabou. E que até um cracker amador poderá, a qualquer momento, quebrar códigos e invadir seus preciosos dados pessoais.

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Mas, afinal de contas, quem são estes temíveis hackers? Ao que se sabe, os cybercriminals são grupos ligados ao crime organizado ou à máfia russa. Não agem por diversão – estão atrás de dinheiro – e muito. Apenas no ano de 2011, a pirataria cibernética subtraiu algo como US$ 4,5 bilhões de grandes bancos, empresas multinacionais     e pessoas físicas, que usam as networks para enviar ou receber dinheiro. Mas, se é pouco provável que um hacker russo, em um galpão em Kiev invada seu computador, existem outros vilões à espreita. Pode ser um adolescente entediado em Boston, com acesso a Internet, como um ex-analista de sistemas, demitido por justa causa da IBM ou do Google.

As possibilidades são assustadoramente simples – basta que um mal intencionado saiba seu nome, data e local de nascimento e tenha acesso ao mesmo provedor que você usa.

Ele dá seu nome e os dados de cadastro, que você colocou na rede em sua última compra online (e que são fáceis de obter pelo Google). A seguir, ele solicita uma nova senha para ser enviada por e-mail. Daí em diante, basta entrar no provedor como se fosse você e, com alguma habilidade, acessar seus e-mails e senhas bancárias. Alguns invasores se satisfazem com sua própria habilidade e não causam estragos maiores, apenas venderão sua senha no mercado negro. Mas também existem os “bad guys”, que podem clonar sua identidade, como os ladrões de carros clonam veículos roubados. Eles podem fazer compras em seu nome, efetuar saques em sua conta bancária ou até instalar um malware que pode – literalmente – derreter todos os dados guardados em seu hard-disk.

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Infelizmente, os especialistas em proteção de dados não descobriram a solução definitiva contra os ataques de bandidos digitais. Mas, pelo menos nos dão alguns conselhos de como evitar um desastre maior:

– Não repita senhas. Se o hacker quebrar uma delas, terá acesso a todas as demais contas.

– Esqueça datas de nascimento, placas de carro. Use o dicionário.

– Use senhas longas – mas que você possa memorizar. As fáceis de lembrar são as curtas, justamente as mais fáceis de quebrar, mesmo misturando letras e números.

– Troque as senhas regularmente, mudando o critério e peça uma confirmação por e-mail, antes do primeiro uso.

– Dê respostas imprevisíveis para a pergunta de segurança. Não use o nome de solteira de sua mãe ou o do seu time de futebol. Invente algo longo e complicado, como “Mary Stuart dal Corso Hoffmeister1990”.

– Limite o número de lojas on-line que você usa regularmente. Quanto menor o número de cadastros distribuídos pela rede, menor a chance de invasão. E prefira sites que não armazenem seus dados.

– Use um e-mail em separado para recuperar senhas, com um username diferente de seu nome. Se for difícil para você, vai ficar ainda mais difícil para o hacker.

– Revise os perfís da família nos programas sociais – será que seu nome e endereço não estão expostos no Facebook de seu filho ou na conta do LinkedIn de sua filha adolescente?

– Se tiver dificuldades de memorizar uma dúzia de senhas (todo mundo tem!), instale um arquivo em um aplicativo próprio para guardar dados no seu lap-top ou iPhone. E faça um back-up no desk-top. Com apenas uma senha você acessa todas as outras.

Um fato conhecido no meio cibernético é que a capacidade de penetrar firewalls se move mais rapidamente do que a engenharia de segurança. Com a falência das senhas, os peritos preparam novos sistemas de verificação de identidade. Os filmes de aventuras já nos anteciparam alguns deles – eye scanners, voice recognition, palm readers e outras engenhocas.

E os mesmos filmes já nos deram um preview de como os vilões vão dribrá-los. Enquanto esperamos a solução que protegerá nossos dados para sempre, o melhor é evitar senhas como 12345 ou com o nome do seu cachorrinho, que todos no prédio conhecem muito bem.

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Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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