Há exatos 18 anos (se você ler esta coluna a partir do dia 6 de dezembro, na quinta-feira), o meu mundo se transformou e eu passei a me sentir a pessoa mais importante da face da terra e com uma responsabilidade imensa pesando sobre meus ombros, minhas costelas, minhas dores. Há 18 anos (um pouco mais se considerar o tempo de gestação), eu descobri que os meus dias nunca mais seriam enfadonhos, que minha rotina jamais seria parecida de um dia para o outro, e que e minhas noites não seriam mais dormidas com a mesma qualidade e intensidade. E pensam que eu me arrependo do que vivi nestes 18 anos? Ou que se pudesse escolher, faria diferente? Não mesmo. Ser mãe desta criatura excepcional chamada Gabriela, há 18 anos me tornou uma pessoa melhor e com vontade imensa de fazer o mundo daqueles que me rodeiam também melhorar.
Nada na vida se assemelha ao prazer de ser mãe. Nada é semelhante a um nascimento de um filho. Nada é mais maravilhoso e milagroso do que ver um filho nascer e crescer. Nada representa mais a plenitude da mulher do que o ato de parir um filho. É simplesmente magia, resplandecer, transbordamento de felicidade, como se, a partir do nascimento de um filho fosse concedida à mulher uma força divina e assustadora. Porque sou fraca, com certeza, para enfrentar e resolver meus problemas. Mas sou uma leoa indomável se mexem com minha rebenta.
Gabriela nasceu às 19h29min do dia 6 de dezembro, um começo de noite quente demais na capital gaucha, que ainda não ostentava o apelido de forno alegre. Gabriela foi colocada em meus braços logo em seguida, e não é corujice, mas a pediatra Beatriz Moraes da Silva disse: “eis a criança mais linda recém nascida que eu já vi”. Preciso confessar que eu também. Foi a criança nenê mais linda. Foi a criança guria mais amada e sapeca. Foi a menina travessa mais idolatrada. Foi a adolescente menos problemática que já conheci. E parece que se tornará a adulta mais responsável e comprometida com os seus ideais. Ela trilha bons caminhos. Ela anda com passos decididos. Ela só me orgulha.
Neste dia 6 de dezembro, excepcionalmente, e pela primeira vez desde que ela nasceu, não estarei com ela. Por ossos da profissão, estou na comitiva do governador Tarso Genro que percorre cidades do interior do RS realizando uma prestação de contas dos dois anos de gestão. Ela sabe que meu desejo era abraçá-la e beijá-la e dizer que ela é o meu melhor presente, a minha realização, o meu sucesso, o meu orgulho. Mas por ser extrememente compreensiva, sabe que esta missão na caravana é também muito importante para mim e quase que me liberou. Desejo, então, publicamente, que eu posso passar muitos anos com ela no seu aniversário, que a vida nunca fique pesada para ela, que Gabriela continue se posicionando e defendendo seus pensamentos, que Gabriela continue sendo esta pessoa especial que só me ensinou a ser feliz. Beijos fllha.

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