A semelhança entre os burocratas soviéticos e os CEOs americanos foi detectada pelo Instituto Latino-Americano de Ciências Cognitivas e Estratégicas. O que tem isto a ver com a recuperação da economia? Os “dois lados”, nos primeiros vinte anos do século passado, passaram a criar chefes privilegiados, uns formando a burocracia soviética e outros se autodenominando CEOS (Chief Executive Officers).
Os “acionistas”, no lado russo, seriam todo o povo soviético, mas os burocratas agiam como bem entendiam, estabelecendo estratégias, decidindo quem subiria e quem desceria. Ou até quem deveria ir para a Sibéria (aqui é “a geladeira”). E tinham a sua parte essencial nos resultados. É neste período, quase concomitante ao da União Soviética, que se desenvolve algo semelhante nas empresas americanas.
“O crescimento dos negócios e das plantas de produção, assim como a complexidade dos mercados e das tecnologias, foi propiciando o surgimento de uma camada social de executivos e CEOS, sem a qual sequer se pode imaginar a empresa americana de hoje”, analisa o Instituto. “Notável é o conjunto de analogias entre o chamado primeiro escalão na empresa capitalista e seu equivalente “do outro lado”.
Também nos EUA o CEO não é dono da empresa, o proprietário geralmente é um plural de acionistas. E, se há um único dono, ele muitas vezes confia as tarefas de chefia a outros executivos. “Não precisamos enumerar quais os privilégios do primeiro escalão dos executivos, tão louvados são pelos que cultuam a “democratização das empresas”. Esta democracia é privilégio do primeiro escalão, e seu poder é tal que consegue resguardar seus benefícios, mesmo em detrimento dos acionistas, os quais teoricamente são os proprietários do negócio. A economia americana, vista dentro de tal ângulo, tem um tremendo dilema. Afirma-se, até, que a camada executiva prefere livros de autoajuda, e come demais “o que deve inundar seus neurônios, e, pior ainda, endividou-se por conta de um futuro que está se evaporando”.
Como enfrentará esta crise com tal “exército”? A doença espalhou-se e afeta muitos outros países em crise. “A normalidade” americana modelou a “executivagem” do mundo ocidental, e seria um tema a ser debatido
“Os CEOS e os demais gestores devem flexibilizar a inteligência, o que não é tarefa fácil. Talvez esta crise venha em benefício e mude o seu modo de pensar e agir”. Tal flexibilização, porém, não se encontra em conferências magistrais ou sermões, mas sim numa atitude de enérgica junto aos executivos nas empresas. (Com http//www.ilace.ilace.org.br).

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