Os dias totalmente mais primaveris e as noites mais amenas de Porto Alegre vivendo a magia de setembro sugerem as chegadas, as reuniões fraternas, os papos ao entardecer, os happys com goles de chopes, caipirinhas de frutas e os aperitivos nos bares do bairro Cidade Baixa e Moinhos de Vento, as junções de antigos amigos e antigas amigas e um eterno ritual de jogar conversa fora. O mês que inaugura a primavera e antecede o outono presta-se perfeitamente a todo tipo de encontro, de palavras trocadas, de experiências gastronômicas e culturais, de jantares familiares, de passeios ao cair da tarde, de cinemas no entardecer de domingo, de cervejas na noite de sábado, de caminhadas nos parques e nos shoppings.
Foi assim no feriado de 7 de setembro, cuja data caiu numa segunda-feira, e depois do plantão de sábado, 5 de setembro, aceitei carona da minha irmã e fomos para Butiá passar uns restos de dias e noites com o mano Nando, a cunhada Flávia e o sapeca e idolatrado afilhado Lucas, que comemora seus cinco anos em fevereiro. Juntaram-se na farra, minha sobrinha e seu companheiro, e os dois filhos, Lohana e João Pedro. Como sempre ocorre nos encontros familiares, fizemos orgias culinárias, esbanjamos gargalhadas, reclamamos na hora de dividir e determinar quem lavava a louça das refeições e contamos e recontamos casos do passado nas casas já habitadas pelos membros da família em épocas anteriores.
A mãe Mirthô Peçanha Martins, que partiu em 4 de julho de 2011, parece estar sempre por perto e atenta aos movimentos daqueles que ela deixou aqui neste plano. Volta e meia, em alguma conversa, no acerto de uma receita que só ela sabia preparar, ou numa lágrima escorrida em um momento de saudade, a mamis se faz presente. E os filhos (eu, mana Sílvia, Nando) e a nora que virou uma filha emprestada Flávia, sabem que estes encontros, mesmo que cada dia seja mais complicado agregar todos, são o orgulho e a felicidade da Mirtinha, esteja ela onde estiver. Desta vez, faltou a minha filha Gabriela, enrolada com suas tarefas e recuperação de sono, e o afilhado mais velho Rafael, que conclui, neste mês primaveril, seu aperfeiçoamento acadêmico na Califórnia.
Pois só o clima de setembro com sua indecisão admite cenários bucólicos como os que ocorreram naqueles poucos dias em Butiá, onde lagarteamos ao sol após encher a barriga de comida boa, dormimos sentados no sofá assistindo programas chatos de televisão, rimos com as bobagens que eu sempre deixo escapar e sim, permitimos que as lágrimas caíssem sorrateiras e definitivas ao carregar na memória lembranças da mãe. Tudo recheado com as brincadeiras e fofurices das crianças Lucas, Lohana e João Pedro. Ao fundo, juro que algumas vezes, escutei a risada contida de Mirthô.
E numa sexta-feira e num sábado lindo e ensolarado de setembro reencontrei amigos e colegas da diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul no 1º Fórum Gaúcho de Assessoria de Imprensa para o Setor Público e Encontro Estadual de Jornalistas em Assessoria de Imprensa. Ocasião para desopilar, renovar as energias, renascer a certeza de que a profissão escolhida é a que mais me serve.
Nas conversas nos corredores com colegas, nas palestras sobre temas importantes para a categoria, no convite para mediar uma mesa e na eleição dos delegados que representarão os jornalistas, a certeza de que só em setembro estes encontros são possíveis.
Num domingo belo demais deste enigmático e estimulante mês de setembro, retomei dotes culinários e pilotei o fogão. Devo confessar que não sou assim tão adepta das panelas, mas de posse de receitas até arrisco alguns pratos simples e rápidos. Fiz algumas gostosuras para um almoço frugal para a minha filha Gabriela e aproveitamos a hora sagrada da refeição para contar os assuntos da semana, dos trabalhos, dos amores e até de um assalto no ônibus que me levava ao trabalho. Tudo isto na harmonia do lar, com o neto canino shih tzu Dalai de testemunha, e o sol estonteante de setembro a coroar.
E só mesmo num entardecer de setembro para inaugurar o terraço da amiga, situado no melhor ponto da Avenida Independência, enfeitado de flores, cores, cheiros e os mais diversos aromas que remetem à amizade, à fraternidade, ao carinho de estar ao lado daqueles e daquelas que nos fazem bem. Foi num domingo de setembro em que as amigas da Secretaria de Comunicação do governo de Tarso Genro relembraram coberturas, gargalharam muito, tomaram chá, vinho e cerveja, programaram outros encontros e cada qual ao seu modo, mudou um pouco o mundo futuro. Na casa da Ana. Só podia ser em setembro.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial