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Os poderes de Renato

Um dos maiores (senão o maior) personagens da história do nosso futebol está de volta. O retorno de Renato Portaluppi ao Grêmio ocorreria de algum jeito. Só não se imaginava ser tão cedo quanto foi. Vencedor em várias oportunidades, cabe a ele agora ser “milagreiro” tricolor. Um poder que vai muito além das quatro linhas. 

Para deixar claro, não sou a favor ou contra Renato. Acho um treinador muito bom, que seria melhor se tratasse de algumas deficiências na parte tática. Inegavelmente um profissional que merece respeito de todos, pelo o que fez e faz. Minha questão aqui nesta coluna é que a forma como a chegada dele acontece em 2026 me parece “por vias tortas”. Será ele realmente capaz de resgatar o bom futebol? Ou foi uma resposta dos dirigentes para acalmar o ambiente? 

No lado dos torcedores, com certeza a medida adotada gera muito mais confiança. Mesmo sem ser unanimidade entre os gremistas, a idolatria deixa todos tranquilos de que haverá mudanças, do jeito que estava com Luís Castro não vai ficar. E não vai mesmo. Neste caso, ponto para a direção. Traz a torcida para o seu lado na luta contra o rebaixamento. 

Internamente também não há dúvidas do que Renato representa. No elenco de atletas ele sabe dominar a gestão de pessoas como poucos no futebol. Entre os funcionários é quase como um segundo pai ou segundo filho de todos no CT Luiz Carvalho. É quem ajuda, ouve, cumprimenta, se mostra ao lado continuamente. Ver o técnico circular novamente no ambiente, com certeza absoluta, acalma os ânimos. Mais um acerto do comando tricolor. 

Então, o que pode depor contra a contratação de Renato? Não podemos esquecer que ele estava no cargo de treinador do Grêmio em sete dos últimos 10 anos. No período houve grandes conquistas. O problema é que, em suas últimas passagens, foi responsável direto por quedas de rendimento e por um sistema de jogo ultrapassado. Desde 2021 ou 2022, quando ele esteve presente, o tricolor é um time que cede muitos espaços na defesa, não conseguindo criar no ataque. Ou seja, o que está errado atualmente é responsabilidade de Portaluppi. Tenho dúvidas se ele vai conseguir apresentar alguma evolução até o fim desta temporada. 

As péssimas decisões da direção nos últimos anos criaram uma realidade na qual o técnico foi chamado. É multicampeão, falastrão mas também tem fracassos em seu currículo. Resta torcer para que a versão vencedora e “imortal” de Renato sejam suficientes para reerguer a equipe.

Autor

Rafael Cechin

Jornalista graduado e pós-graduado em gestão estratégica de negócios. Atua há mais de 25 anos no mercado de comunicação, com passagem por duas décadas pelo Grupo RBS, onde ocupou diversas funções na reportagem, produção e apresentação, se tornando gestor de processos e pessoas. Comandou o esporte de GZH, Rádio Gaúcha, ZH e Diário Gaúcho até 2020, quando passou a se dedicar à própria empresa de consultoria. Ocupou também, do início de 2022 ao final de 2023, o cargo de Diretor Executivo de Comunicação no Sport Club Internacional. Atualmente mantém a própria empresa, na qual desde 2021 é sócio da Coletiva,rádio, e é Gerente de jornalismo e esporte da Rádio Guaíba.
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