Colunas

Os Scliar

Na Rua Dias Ferreira, 147, Leblon, o restaurante La Mole, hoje uma rede com 15 unidades, inaugurava sua primeira casa em 1958. Por coincidência, …

Na Rua Dias Ferreira, 147, Leblon, o restaurante La Mole, hoje uma rede com 15 unidades, inaugurava sua primeira casa em 1958.

Por coincidência, no mesmo edifício da loja do La Mole, três bons amigos residiram lá: os publicitários Carlos Prósperi e João Carlos Magaldi e o pintor Carlos Scliar. Nessa época, o pintor gaúcho se alternava no Rio de Janeiro e em seus ateliês de Cabo Frio e Ouro Preto, onde estive algumas vezes.

Scliar, morando no Rio, no início do anos 1960, esteve no Teatro de Equipe, em Porto Alegre, em duas ocasiões, fazendo palestras sobre o seu ofício.

Quando em 1965 voltei a residir no Rio, reatamos uma relação amistosa que incluiu, por muitos fins de ano, trocas de votos festivos e positivos.

Nós dois tínhamos uma dificuldade comum. Eu, por suposição de língua presa, ele por ser filho de judeus russos, apanhávamos na pronúncia do “R” brando. Araraquara, por exemplo, seria uma cidade péssima para a gente morar.

Ao escrever o livro Antonio’s, caleidoscópio de um bar, lembrei-me que o cardápio daquele restaurante tinha sido feito pelo ex-diretor de arte da revista Senhor e fui pedir autorização para usar o trabalho na quarta capa do livro, o que foi feito, e também no convite, para o lançamento do mesmo.

Scliar festejou com brilho a sua trajetória com uma grande exposição no Museu de Arte Moderna, Rio, com obras dos seus primeiros 25 anos de trabalho.

Na tarde na qual fui ao MAM, encontrei o amigo na saída, dei os sinceros parabéns e perguntei:

– Aquele óleo dos dois pracinhas jogando xadrez foi pintado de memória, né?

– Como adivinhaste?

– No tabuleiro, a última casa à direita de quem está jogando xadrez é branca. No seu quadro é preta…

Henrique Scliar. Em maio de 1950, em Porto Alegre, 14 ativistas políticos judeus fundaram o Clube de Cultura e construíram sua sede no Bom Fim, bairro que é considerado o gueto judaico da cidade.

Entre os fundadores estava o judeu russo Henrique Scliar, pai de Carlos e tio de Moacyr, que somava sua cultura à vocação do “fazer” e ao humor judaico.

Nos anos em que vivi em Porto Alegre, o Clube da Cultura era uma usina de atividades, e por ele transitavam as mais diversas artes. Henrique, apesar de bem mais idoso, tomou-me como amigo e através de seus convites levei eventos e palavras àquele reduto cultural.

Na noite em que fiz uma palestra sobre poesia lírica e poesia dramática, encerrados os trabalhos, Henrique chamou-me à parte e mandou:

– Aqui no Clube todo mundo gosta muito de você e não é preciso você falar imitando a gente.

Bem, com a crônica anterior falando do Moacyr e a de hoje sobre mais dois Scliar, creio que fiz jus ao meu nariz adunco.

Inté.

 

Vitrine (Comentários sobre a crônica Cinzas)

Li sua crônica sobre o Scliar, grande perda para todos nós. Tive uma sogra que dizia sempre, quando havia morte de amigo, que ela estava perdendo as suas testemunhas. Vamos tentar continuar por aí antes que um tsunami de burrice deixe este país sem testemunhas. David Hulak, economista, Olinda, PE.

Marião, sua crônica me trouxe de volta ideias que, com os anos, me são cada vez mais recorrentes. Com o aumento da perspectiva de vida, os velhos amigos podem ficar mais tempo juntos. Isso, em boa medida, evita a solidão da velhice, uma das maiores tristezas do mundo. Mas, nesta maratona forçada para ver quem dura mais, os vencedores ganham um prêmio que dói demais: são campeões solitários. Nada mais encantador que o casal vida-tempo. Mas, vamos combinar, eles também são f… Mon (José Monserrat filho) Jornalista, escritor e advogado especialista em Direito Espacial, Rio de Janeiro.

Mário, bom dia. Tua crônica de hoje fez-me lembrar que a coleção RBS-Editora Globo foi ideia minha e do Bertaso, ex-marido da Barbara Openhaimer. Foi um sucesso, O primeiro livro – da Célia Ribeiro – vendeu mais de 35 mil exemplares, só no RS e num mês! Depois editamos o Moacyr, o Verissimo e vários outros.  Madruga (Madruga Duarte), jornalista,e publicitário, Curitiba.

É, vamos enchendo a urna das cinzas. Ficou muito bom o que escreveste sobre o Moacyr Scliar. Beijo, Vera (Verissimo), psicóloga e tradutora, Porto Alegre.

Mario sensacional a sua crônica. Até por isso, informo: se você morrer, não falo mais com você… Abração. Walter Arruda, publicitário, São Paulo.

Imagem

Autor

Mario de Almeida

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.