Colunas

Outros tempos, novos diálogos

Por Vieira da Cunha

– Filho?

– Oi

– Tudo bem na escola hoje?

– Sim

– Você resolveu aquela pendência com a cantina?

– Sim

– E você foi direto pra casa da mamãe?

– Fui

– Filho, você sabe que quando duas pessoas dialogam, mesmo que seja aqui pelo whats, elas usam mais que um monossílabo?

– Sim, papai

– Pô, tá de sacanagem comigo?

– Nn, tô de boa

– Ok, então me ajuda a entender. Como é que vocês estão se virando com o uso do celular proibido na sala de aula? Amanhã vai ter um encontro de pais com os professores e preciso saber como está rolando isso aí. A mãe do Robson comentou que ele anda meio perdido e descontente com a nova situação.

– Ele é um chato, vive reclamando de tudo 

– Só ele? E os outros colegas?

– A falta de clr nn incomoda muito. E achei necessário. Antes boa parte dos alunos ficavam mechendo nos clr em aulas q nn interessavam pra eles

– Mexendo, filho, mexendo é com xis. 

– Vdd. Odeio português. Pior q matemática

– Ok, mas não adianta se rebelar contra isso, né? E que mais?

– Olha por mim, nn mudou quase nd em geral, só em alguns ngc específicos q senti um pouco de falta, por exemplo, quando preciso mostrar alguma coisa pra alguém q só tenho no clr, combinar alguma coisa c vcs, ou c qq pessoa de fora da escola, nesses momentos senti um pouco de falta. Mas em geral durante as aulas etc, a gnt já nn usava mto msm. Meus amg reagiram de forma parecida c a minha, as vezes em momentos um pouco “vagos” tb faz um pouco de falta pq ficamos um pouco sm o q fzr, caso nn pudermos cvs e tal. Mas resumindo, nn fez falta em geral, acho q nos adaptamos bem

– Que que é cvs??

– Conversar

– Tá. E fora o problema com a falta do celular?

– Tem umas atividades q são um saco, a gnt fica cansado e sm vontade de fzr. E tem professores q sabem do assunto, mas nn sabem ensinar e a glr fica desinteressada. E nn adianta reclamar pra ngm

– Ué, se os pais forem informados sobre o que se passa na escola, poderiam ajudar a melhorar, ou pelo menos tentar melhorar esta situação. Vamos falar mais sobre isso à noite, pode ser?

– Pode

– Ok.

– Mas hoje nn, vou dormir na casa da mamãe

– Sei…

Autor

José Vieira da Cunha

José Antonio Vieira da Cunha atuou e dirigiu os principais veículos de Comunicação do Estado, da extinta Folha da Manhã à Coletiva Comunicação e à agência Moove. Entre eles estão a RBS TV, o Coojornal e sua Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, da qual foi um dos fundadores e seu primeiro presidente, o Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, a Revista Amanhã e o Correio do Povo, onde foi editor e secretário de Redação. Ainda tem duas passagens importantes na área pública: foi secretário de Comunicação do governo do Estado (1987 a 1989) e presidente da TVE (1995 a 1999). Casado há 50 anos com Eliete Vieira da Cunha, é pai de Rodrigo e Bruno e tem cinco netos. E-mail para contato: [email protected]
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