É como contar o filme. Ela conta tudinho em detalhes. Não cheguei ainda ao final, mas no ritmo em que está o livro, ele poderá falar sobre a morte também. Há um conforto ali que gostaria de ouvir se estivesse perto de estar indo dessa para não-sei-bem-onde. Dá um medo… No início, parece uma ladainha. Um choro. Mas a identificação com o tom do livro vai nos tornando cúmplices, falando pelos corredores, decidindo as frases com a autora. Aos sentimentos dá forma e os conceitos descritos nos realimentam. Não traz, nem de longe, a sensação de enjôo percebida em livros de auto-ajuda.
Nos melhores momentos, ao lê-lo, temos a sensação de quase dizer antes o que leremos a seguir. É bom para aliviar o peso do dia-a-dia. Saber mais sobre o que se espera não estar tão longe: o tal do amadurecimento. É como estar ao pé de uma fogueira, ouvindo as palavras dos mestres índios. O que eles contam, independente do conteúdo da história, vale por suas revelações, relatadas com arte. O importante é que este livro ajuda mesmo. Não é ofensa. É talento e magia.
Trata-se do livro de Lya Luft, Perdas & Ganhos, Editora Record, 2003, com uma capa muito sensível, quase táctil. A pintura é de Lena Bergstein e a tipologia é delicada e ao mesmo tempo precisa. A fonte é nada menos que Electra. E tem aquela frieza e objetividade conferida por aquela linhazinha vertical no projeto de Evelyn Grumach. O livro confirma a escolha mesmo na hora de pagar: o gostoso nem sempre é o mais caro. Para refletir no verão.

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