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Parábolas…

Parábolas, das boas, ou são indianas ou são chinesas. Esta deve ser indiana. Estavam dois jovens pescando à beira de um rio, quando avistaram …

Parábolas, das boas, ou são indianas ou são chinesas.

Esta deve ser indiana.

Estavam dois jovens pescando à beira de um rio, quando avistaram uma criança debatendo-se para não afogar-se. Entraram na água e salvaram-na.

Minutos depois, a cena repetiu-se, porém em dobro. Mais uma vez, as crianças foram salvas.

Quando mais meia hora havia se passado, quatro crianças surgiram em situação idêntica às anteriores. Novos salvamentos.

Quando surgiram oito crianças rio abaixo, um dos salvadores, tão logo terminou sua tarefa, começou a deslocar-se, pela margem, rio acima.

Seu colega reclamou:

– Aonde você vai? Do jeito que surgem crianças neste rio, não conseguirei, sozinho, salvar a próxima leva!

Ao que o retirante respondeu:

– Do jeito que está não dá para ficar… Vou saber quem está jogando crianças no rio, pois logo não teremos como evitar afogamentos!

Se considerarmos os governos municipais, estaduais e federal identificaremos a progressão geométrica da roubalheira. Em geral, os crimes são descobertos após muitos anos, quando seus praticantes já se locupletaram, esconderam dinheiro e estão prontos para pagar bons advogados.

Nosso sistema é baseado, na maior parte das vezes, na capacidade investigativa da imprensa, na Polícia Federal e nos cônjuges e amantes infelizes. Sempre tardiamente.

A punição em geral é a perda de um mandato aqui, uma noite no xilindró acolá, mas o retorno dos recursos roubados aos cofres públicos é pouco provável.

Para que servem, afinal, os órgãos de auditoria dos governos? Seriam um instrumento de compadrio?

Escreve aqui alguém que, sistematicamente, tem criticado o absurdo tamanho que o Estado brasileiro, em todas as suas esferas, atingiu. Entretanto, a hora é de repensar os sistemas de controles. De profissionalizar este processo.

Não se pode mais admitir que políticos com lama até o pescoço aleguem: “o órgão tal aprovou minhas contas”.

Já que não é possível mudar a índole da nossa sociedade, que se estabeleçam mecanismos sérios para evitar o roubo e, quando isto não for possível, que se desvende mais rapidamente a rapinagem.

Precisamos sistemas de controle de verdade!

Perguntando…

E se fosse um jogador de futebol que tivesse se referido ao Rodin como um pensador, quantas piadas estariam fazendo?

Não que o famoso escultor não tivesse capacidade para pensar, mas…

Esta “saiu” em cem quilowatts.

Autor

André Arnt

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*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

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