
“Quem não viveu um grande amor em uma mesa de bar?”.
Zelda Fitzgerald.
O escritor Ernesto Sábato escreveu seu “Sobre Heróis e Tumbas” em uma mesa de janela na antiga Confeitaria Richmond, em Buenos Aires. Nos anos 50, ele tinha como companhia os amigos Julio Cortázar e Jorge Luis Borges. Quando soube que a Richmond seria fechada para dar lugar a uma loja de conveniência, Julio Cortázar lamentou não poder voltar a lugares que testemunharam momentos de amor e grandeza:
“- É a lenta máquina do desamor”.
Os Anos Dourados parisiense foram repletos de episódios de encontros e desencontros nos cafés de esplanada e bistrôs nas duas margens do Sena. Um bom exemplo é a mais que centenária Brasserie Lipp, um pedaço vivo da história da França. André Malraux mantinha uma mesa cativa, assim como Antoine de Saint-Exupéry, poetas e pintores. Fundada por um alsaciano que fugiu da guerra franco-prussiana, era o ponto de encontro para estrangeiros exilados em Paris: James Joyce, Brecht Bertold, Stefan Zweig, Pablo Picasso, Zelda e F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway.
Hoje uma parada obrigatória para 70% dos turistas que visitam Paris, o veterano Les Deux Magots é patrimônio cultural da cidade. No terraço debruçado sobre a igreja Saint-Germain-des-Près ficava a mesa onde Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir trocavam idéias sobre amor livre e literatura. Enquanto isso, mais ao fundo, Louis Aragon, Andre Gide e André Breton discutiam sobre surrealismo e existencialismo. Em outra mesa, os poetas malditos Verlaine, Rimbaud e Mallarmé apenas bebiam absinto em silêncio.
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Nos mesmos anos 20 e 30, a Calle Florida era a passarela elegante de Buenos Aires, enquanto a elite intelectual se reunia mais adiante, no número 825 da Avenida de Mayo, onde desde 1858, funciona o icônico Café Tortoni. Por suas mesas e salas reservadas desfilaram as figuras de Carlos Gardel, Molina Campos, Ricardo Güiraldes, Juan Manuel Fangio, Jose Ortega y Gasset e Jorge Luis Borges. A lista de seus frequentadores estrangeiros também é interminável: Antoine de Saint-Exupéry, desfilando com seu casaco de couro em uma escala do Correio Sul. Já Graham Greene era outro ilustre cliente, que citou o lugar em seu “O Consul Honorário”. O lendário ainda registra a passagem do poeta Federico Garcia Lorca, do rei Juan Carlos e Bourbon e até do gênio de Albert Einstein. Em uma de suas paredes podia se ler em lunfardo portenho:
“Un bar no tiene clientes.
Acá esta palabra carece de sentido.
Un bar solamente tiene amigos, feligreses, cófrades, congregantes.
O, mejor, desempolvemos un antiguo vocablo en desuso: parroquianos, un término impregnado de camaradería y de comunión”.
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