A notícia da prisão do rabino Henry Sobel sob a acusação de furto, há alguns dias nos Estados Unidos, propiciou uma série de variados posicionamentos por parte dos profissionais de comunicação e membros da sociedade em geral.
Basta uma pesquisa no youtube para constatar que o lixo no qual se vem transformando a televisão brasileira explorou o fato através dos programas ditos humorísticos da forma mais agressiva possível.
Outros lembraram a velha, e verdadeira, questão “pobre na cadeia, rico na casa de saúde”; uma vez que o rabino veio a ser internado ao regressar ao Brasil.
Há, além disso, o sempre disfarçado anti-semitismo que ressurge nestas ocasiões.
A mim, chamam a atenção a questão da imagem da figura pública e a facilidade com que uma reputação é manchada.
A psicanálise, certamente, pode explicar os motivos pelos quais um sujeito de alta renda comete um furto de objetos de baixo valor, ainda que mensure as conseqüências de seu ato – até parece que ele faz para ser apanhado. Para chamar a atenção? Mostrar-se humano e, portanto, falível? Ou pura compulsão?
O desgaste da imagem, no entanto, está feito. O público, em geral, tenderá a vincular daqui para frente o nome de Sobel a este episódio. Lembrará menos o rabino que teve a grandeza de recusar-se a enterrar açodadamente o jornalista Vladimir Herzog, o homem que participou, ativamente, da luta pela redemocratização do Brasil e do líder religioso pregador da tolerância entre os povos e as religiões.
Uma pena!

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