Talvez eu possa decepcionar alguns leitores e algumas leitoras com a coluna de hoje. Mas nem sempre conseguimos agradar todos, todas e todes. Pois não falarei sobre temas mais ásperos – embora muitas vezes necessários – como o abandono da cidade de Porto Alegre pela Prefeitura, os números perturbadores dos casos de feminicídios no Estado, a falta de políticas públicas em diversos setores ou disputas eleitorais. E nem sobre tópicos mais meigos, como o amor que tenho pela minha filha Gabriela, as travessuras do cão Quincas Fernando ou as belezas do inverno na capital gaúcha.
Simplesmente porque fiquei olhando as teclas do notebook e sofri uma ausência total de criatividade. Fiz uma varredura em algumas notícias, sites e blogs (sim, eles existem) para ver se encontrava algo que me motivasse a escrever. Nada. Só se fala na Copa do Mundo, na raça da seleção da Argentina e na vergonha do desempenho do Brasil. Em breve, as eleições irão dominar a mídia. E eu volto a ter motivação.
Então resolvi escrever sobre pequenos gestos que me aqueceram nos últimos dias frios. Porque são estas pequenas gentilezas, tão inesperadas, que nos fazem acreditar nos seres humanos, apesar de tanta atrocidade que se vê no dia a dia.
Alguns dias sem aparecer nas aulas de ginástica (compromissos domésticos e um período que passei na casa do meu irmão em Butiá) e uma colega, que se preocupou com a ausência e perguntou pelo whats se estava tudo bem, me levou um pedaço de bolo de laranja no meu retorno às atividades. Achei tão simpático e agradável da parte dela. Fiquei emocionada. E quando estava lá em Butiá, uma vizinha se prontificou a receber o kit do Clube do Livro Banrisul 60+, para eu não perder a entrega do livro Vera, de José Falero. Também considerei simpático e agradável.
Em tempos de cada um cuidando da sua própria vida, o que é salutar para não gerar fofocas ou intromissões, atitudes de atenção com o próximo são saudáveis e aplaudidas. Em tempos de individualismo, ações de preocupação com o próximo são estimulantes. Em tempos de imersão nas redes sociais, acenos de vida real são necessários. Viva o tempo das gentilezas. Viva o tempo das delicadezas. Viva os pequenos gestos de zelo e carinho.


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