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Perambulando pelo tempo

Semana passada, desci do ônibus da aldeia/condomínio em Copacabana e dei-me conta que estava adiantado. Resolvi dar uma caminhada por aquelas ruas do Posto …

Semana passada, desci do ônibus da aldeia/condomínio em Copacabana e dei-me conta que estava adiantado. Resolvi dar uma caminhada por aquelas ruas do Posto 6, onde eu morara e frequentara por um bom tempo.

Passei onde ficava a Socila, empresa de serviços para a mulher de estética e postura, cuja conta de propaganda conquistara para a agência que eu dirigia. Aconteceu que vinha ao Brasil Betty Friedan, conhecida lutadora pela afirmação da identidade feminina.  A Criação mostrou-me um anúncio, consultei um advogado, a Socila aprovou e, apesar de não ser machista, mas publicitário assumido, mandei ver. Os jornais publicaram a foto da feminista – pessoa física feia – com o conselho: Socila nela!

Ao passar pela Souza Lima, lembrei-me que moraram nela o poeta, empresário, político e ghost writer de Juscelino, Augusto Frederico Schmidt, e meu amigo Valdi Ercolani, gaúcho, colega de propaganda no Rio e há anos trabalhando e residindo em São Paulo, cujo e-mail descobri aqui, numa crônica do José Antonio Moraes de Oliveira.

Na Francisco Sá, esquina com Nossa Senhora de Copacabana, fica o Hotel Portinari, dos irmãos Benigno e José Garcia Gerpe, galegos amigos nascidos em Santa Comba, terra de Manolo, o do Antonio’s, que, ao deixar o seu bar e restaurante para os empregados, voltou à sua também terrinha. Hoje, Benigno e José são meus correios – ao vivo – que me trazem notícias de quem me deu licença e acesso ao material para escrever Antonio’s, caleidoscópio de um bar.

Na Sá Ferreira, passei pelo restaurante que sucede a Gôndola, antigo ponto obrigatório do pessoal de teatro, defronte ao antigo “Petel”, hotel para casais de pedestres.

A Galeria Alasca mudou radical, antiga boate gay virou Igreja Universal de Deus e os dois restaurantes espanhóis, da Atlântica, conhecidos pela paella e pela sangria, deram lugar a um português e outro que, apesar do nome Sindicato do Chopp, oferece fartas refeições.

Leila Diniz, que batizara um microbotequim do Jardim Botânico como Bunda de Fora, ficaria feliz de ver, como vi, um com duas bundas de fora. Passei defronte ao cartório onde se casaram minha filha Carla e Bernardo e, finalmente, entrei no restaurante que, quando Churrascaria Copacabana, frequentei muito com colegas da Globo.

Casei-me com Aurea num cartório da Djalma Ulrich e, na véspera, avisei o sócio da churrascaria que dia seguinte guardaria o carro lá às 10 horas, quando ele mandaria colocar no gelo um garrafa de Dom Pérignon brut. Encerrada a chata cerimônia cartorial, com absoluto e absurdo desrespeito ao horário, fomos nos vingar à sombra do champanhe, com o casal padrinho/madrinha Welles/Olegária.

A amizade com Welles teve início há exatos 40 anos, de forma profissional, quando fui dirigir uma agência onde ele trabalhava, e uma das primeiras medidas foi dobrar o salário dele. Levei-o para a Globo e, quando fui para a Fundação Roberto Marinho, ele assumiu o meu lugar. O almoço que fundia amizade e confiança profissional era com quem vai cuidar da produção do meu próximo livro, cujo título deverá ser Almanaque do camaleão.

Fui com o padrinho conhecer a estação do metrô de Ipanema e, logo nos primeiros passos, passamos por uma antiga central telefônica, hoje Teatro Oi Ipanema, inaugurado por Paulo José e a filha Ana Kutner, em dezembro passado, com Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César, espetáculo que aplaudi junto com minha filha Rachel.

Ao chegar à Rua Jangadeiros, dei-me conta que só ela, o bar do mesmo nome, a Banda de Ipanema e a Praça General Osório poderiam render algumas crônicas.

Por hoje ficamos no Posto Seis, onde boate virou igreja.

Inté.

 

VITRINE (sobre a crônica anterior)

Mario, os poderosos e suas “soluções”! “Se índios não têm alma, não precisamos catequizá-los”… Bem que nossas elites gostariam de encontrar “soluções” assim: “Será que pobres têm estômago? Se não têm, não precisamos alimentá-los!” Abração, Gustavo Borja Lopes, Rio

Marião, Índio tem alma? Esta questão, discutida em 1550 em Valladolid, Espanha,

teria qual tradução em nossos dias? Quem são os índios no mundo de hoje? Não serão os pobres, miseráveis, desvalidos, doentes, desafortunados? Claro, ninguém hoje se atreverá a perguntar se eles têm alma. Mas podem muito bem duvidar do valor e da necessidade de suas vidas. Os nazistas não matavam os “inúteis” e “imprestáveis”? Os pobres, em geral, passam fome e são subnutridos. Milhões ainda morrem disso. Por que não conseguimos alcançar as Metas do Milênio traçadas pela ONU,

tão justas e relativamente tão baratas? Quem são, afinal, os desalmados desta época de riquezas e abundância sem precedentes? Não serão aqueles que impedem que se resolva a tragédia da miséria e da fome em pleno século XXI, o século do mais vertiginoso avanço científico e tecnológico e dos maiores PIBs de toda a história humana? Abração, Mon (José Monserrat Filho), Chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais, Ministério da Ciência e Tecnologia, Brasília

Mário, obrigada. Adorei. Fiquei com vontade de rever  A Insustentável Leveza do Ser. Margô (Margarida Oliveira), F&M Pro Cultura, São Paulo

Autor

Mario de Almeida

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