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Pode chegar seu inverno

Embora pelo calendário oficial, o inverno só tenha seu início no dia 21 de junho, um domingo, às 05h25, eu já declarei aberta a temporada da estação mais fria do ano aqui pelas bandas de Porto Alegre. A data, que marca o solstício de inverno, quando o sol soberano atinge o seu ponto mais distante da Linha do Equador, também é a noite mais longa do ano. E eu, como sou daquelas que preferem o frio, desde que sem chuvas (por favor), preparei espírito, corpo, cobertores e mantimentos para hibernar dentro de casa. Ou programar saídas com amigos e amigas quando a temperatura não estiver tão baixa.

Para receber a estação fria, que só deve despedir-se no dia 22 de setembro, abrindo espaço para a primavera, dei uma boa organizada na minha gaveta de mantas, cachecóis e pashminas. Todas separadas e perfumadas. Cobertores devidamente retirados da parte de cima do roupeiro e lavados. Alguns já cobrem a cama. Para enfrentar o frio enquanto vejo noticiários e séries na televisão, deixei umas peças separadas sobre o sofá. Meias grossas de lã, pantufas, gorros, luvas e similares também tiveram tratamento especial e aguardam a hora de serem usados.

Sempre considerei que no inverno as pessoas ficam mais elegantes, melhor vestidas, com fisionomias mais tranquilas, sem aqueles pingos de suor que escorrem no verão e com múltiplas opções de agasalhos e casacos para enfrentar as temperaturas geladas. Por isso, na noite de quarta-feira (10 de junho), quando levei o cão Quincas Fernando para o seu passeio noturno, sai enrolada em mantas. E observei as pessoas na rua, por volta das 20h, todas bem “entrouxadas”, como diria a minha mãe, e me pareceram realmente mais elegantes.

E os dias mais frios, às vezes mais cinzentos, as noites chegando mais cedo, vez ou outra trazendo o barulho dos ventos nas janelas, também estimulam as canjas suculentas, as sopas fumegantes, caldos mais substanciosos. Sem falar no consumo de vinhos tintos para acompanhar alguns pratos. Haja limite no cartão de crédito para tanto Cabernet Sauvignon.

Apesar de algumas previsões indicarem que o inverno no Hemisfério Sul pode ser menos rigoroso, confesso que estou bem preparada para uma boa recepção. Não se acanhe. Nada de timidez. Mostre suas caras. Pode chegar seu inverno.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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