Colunas

Poeminha a passo de ganso

De surpresa a fala fez-se a bombástica

Proposta de edital duma arte mais estática

A vontade do estado como sempre errática

Acima deus pátria família, abaixo a plástica

De cívica tal língua fez-se entusiástica

Que no vídeo pregava mudança drástica

E nessa paixão pela retórica pleonástica

Declara a arte servil, regrada, monástica

 

Daqui em diante arte deve fazer ginástica

E manter-se não elástica mas eclesiástica

Se possível fardar-se e perfilar, fantástica!

E pintar-se verdosa e amarelosa, catártica

 

Finda-se o discurso numa voz sarcástica

Encomende-se ao artista obra escolástica

Goebbelslizada uma cultura nada cáustica

Premie-se logo a obediência encomiástica

Mal sai do ar o falastrão de aura asmática

Perde a função: falta de noção ou de tática?

Em seu lugar cogitada atriz teledramática

Reginar-se-á ela com o Poder, carismática?

Será tudo isso a gota d´água orgiástica 

Ou é parte duma enxurrada emblemática?

Estica o braço, heil!, saudação traumática

O lindo pendão resplandece ordem sádica:

Marcha o ganso, resoluto, rumo à suástica.

 

Autor

Fraga

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.