Um índice que não deve, com certeza, orgulhar nenhum gaúcho e nenhuma gaúcha. Aliás, é um dado que ninguém gostaria de noticiar. Mas não adianta a gente tentar esconder, camuflar, fingir que não é verdade. Basta percorrer as ruas das cidades, especialmente as vias de Porto Alegre, e constatar. A cruel realidade. Impossível ficar insensível. Quando se vê, em cada esquina, debaixo de cada marquise, ocupando pedaços das calçadas, pessoas que não têm onde morar. A população de rua mais do que dobrou no Rio Grande do Sul em apenas cinco anos.
É o que disse a News Matinal de 2 de junho ao informar que o Estado tem 10 mil pessoas a mais vivendo nas ruas do que em 2021. Naquele ano, eram 7.248. Já em maio de 2026, são 17.574 moradores de rua, um aumento de 142,5%. O que representa o sexto maior contingente do país, equivalente à população do município de Cidreira. O levantamento é da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Vamos combinar que o aumento exorbitante de moradores de rua é um fato que se vê em cada esquina, parques, praças, terrenos abandonados, prédios em construção e calçadas. Mas o estudo da UFMG nos põe, sem dúvida, em estado de alerta. Porque é preciso, com urgência, que esse problema seja atacado. E não é simplesmente tirando esporadicamente os moradores de rua das ruas. É necessário que o Governo do Estado e a Prefeitura se empenhem em apresentar políticas públicas para reduzir esse contingente. Não dá para tapar os olhos.
O cenário é bem pior em Porto Alegre, onde o crescimento da população de rua foi bem maior: 253,5%. No ano de 2021, a capital gaúcha registrava 2.048 pessoas sem moradia. Segundo o mesmo levantamento, em maio deste ano, são 7.240 pessoas sem ter moradia em Porto Alegre, vivendo na rua, deitando-se em papelão, cobrindo-se com trapos, sem condições mínimas de dignidade. E com esse dado, nossa cidade torna-se a oitava capital do País com mais pessoas em situação de rua.
Falo especificamente do bairro que me acolhe desde agosto de 2019. A Cidade Baixa, principalmente nos últimos três anos, transformou-se num condomínio de pessoas em situação de rua. Em caminhadas matinais, em apenas três ou quatro quadras, é impressionante o número de moradores de rua. Sem exagero. Em cada quatro, encontra-se uns cinco ou seis. Espalhados pelo chão. Cobertos de panos sujos. Encolhidos sob papelões que imitam colchões. Eles não vivem. Apenas sobrevivem. Insistem. Resistem.
Tenho uma teoria de que nenhum deles gosta desta condição sub-humana. Não habitam as ruas por opção. Não queriam viver nas ruas. Não têm orgulho desta situação. Mas vão se ajeitando como podem. Mas vão se acomodando nos espaços que encontram. É uma realidade que precisa ter maior atenção do Poder Público. É um cenário que nos envergonha enquanto seres humanos.


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