Colunas

Pra não dizer que não falei das flores

Não quero hoje escrever a coluna sobre temas pesados ou cinzentos. Não desejo levar tristeza e pessimismo aos leitores que me acompanham. Não teclarei …

Não quero hoje escrever a coluna sobre temas pesados ou cinzentos. Não desejo levar tristeza e pessimismo aos leitores que me acompanham. Não teclarei sobre sentimentos ruins e que terminam por destruir as relações. Nem vou, novamente, voltar a falar sobre as dores que carrego de cicatrizes ainda não curadas e que sangram todo o dia. E nem chorar os dissabores que me habitam e me fazem, às vezes, um ser amargo e mergulhado em infelicidades passageiras.

E como faço da flor meu mais forte refrão e acredito nas flores vencendo o canhão, escreverei hoje somente sobre amenidades. Sem política (embora este tema mova todos os assuntos da vida pública e privada). Sem ranços de qualquer espécie que impedem o crescimento e o desenvolvimento pessoal. Sem tristeza. Sem a saudade de dias passados que marcam a minha história.

Pra não dizer que não falei das flores (de carona na famosa música do Geraldo Vandré), na coluna de hoje vou caminhar e cantar seguindo a canção. Então, vou dividir com vocês a imensa felicidade de chegar cansada e estafada de um dia do trabalho e ser recebida, com imensos afagos e carinhos, pelo cão mais amoroso deste planeta. Meu neto canino, o shih tzu Dalai é tão afetuoso que é capaz de desmanchar todas as encrencas de dias ruins. Ele sobe no braço do sofá da sala e fica endoidecido, balançando seu rabinho, e se desdobra em gestos e demonstrações de querência.

E como tenho ainda os amores na mente, as flores no chão, a certeza na frente e a história na mão, divido com vocês que devo ter ensinado e educado muito bem a minha filha porque ele tem um senso de justiça e de responsabilidade social incríveis. E quer emoção maior para uma mãe do que perceber que sua cria só lhe dá alegrias? Não existe, posso assegurar para vocês. Pois, a minha Gabriela, que completa recém 20 anos em dezembro (parece que foi ontem), tem todos os seus sentidos de cidadania e respeito aguçados. Uma mãe só se enche de orgulho com rebentos assim.

Não disse que iria fazer uma coluna meiga, afetuosa, carinhosa, sem rancores, sem mágoas e sem assuntos mais ásperos?

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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