A revista Carta Capital, penúltima edição, colocou a Rede Globo e o Jornal Nacional na berlinda.
Em matéria intitulada “A trama que levou ao segundo turno”, Carta Capital enfatiza a importância da divulgação das fotos do dinheiro destinado à compra do dossiê contra políticos do PSDB, apresentada na antevéspera do dia da eleição pelo famoso telejornal, para a não confirmação da vitória de Lula em turno único.
A revista afirma ainda que a edição do jornal teria sonegado a informação da queda do avião da Gol ocorrida naquela mesma noite para reforçar o agendamento do tema do dossiê, prejudicando, por conseguinte, a candidatura ilibada do Nosso Guia.
Não é a primeira vez que a Globo é acusada de interferir no processo eleitoral. A atitude da emissora na eleição de Brizola para governar o Rio de Janeiro, em 1982, e a edição do debate final Collor-Lula, em 1989, são episódios que justificam críticas, além de propiciar temas para teses de pós-graduação em Jornalismo.
Desta feita, no entanto, ainda que não tenha procuração para defender a Globo, a situação é diferente.
Desde a prisão dos envolvidos, o tema da dinheirama viva foi agendado. Havia expectativa da sociedade acerca do assunto. A mesma Polícia Federal que freqüentemente deixa-se filmar em operação, desta feita fechara-se
Com relação à notícia do acidente aéreo, na nota divulgada pela Rede Globo, fica clara a impossibilidade de publicá-la durante a edição do jornal. Devido à pobreza de informações até então, o que iria o ar serviria apenas para gerar pânico na população. Está previsto na hipótese do newsmaking, importante estudo da teoria do jornalismo.
Ao que parece, a Carta Capital entende que a mídia, em geral, e a Globo, em particular, não deveriam “prejudicar” o processo eleitoral, divulgando as fotos. Ou seja, não importa a profundidade do mar de lama em que determinado candidato esteja envolvido, sua eleição não deve ser “atrapalhada” por estas notícias de última hora.
A opinião pública tem o direito à informação independente do estágio em que se encontra qualquer processo eleitoral. Nunca é tarde para esclarecer a cidadania.
O tema parece óbvio… Resta, no entanto, procurar compreender, os motivos que fizeram a Carta Capital produzir tal matéria.
Espero que não tenha nada a ver com a sensação de folder das estatais federais que se tem ao manusear o hebdomadário.

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