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Pubs de charme e seus nomes incríveis

“O nome é parte importante daalma de um pub e define seu caráter.Um bom pub é algo delicioso quedeve ser reverenciado e celebrado.Isto feito, …

“O nome é parte importante da

alma de um pub e define seu caráter.

Um bom pub é algo delicioso que

deve ser reverenciado e celebrado.

Isto feito, você pode chamá-lo da

forma que mais lhe agradar”.

(Charles Dickens)

Perde-se a conta das lendas sobre a origem dos poéticos nomes dos pubs britânicos. Geralmente, homenagens a clientes célebres ou a episódios históricos que aconteceram entre suas velhas paredes. Como o caso do “Queen’s Elm”, que recorda quando a rainha Elizabeth I se abrigou da chuva sob um grande olmo diante da taberna. O olmo desapareceu, mas o pub continua no mesmo lugar e é um dos mais venerados de Londres.

Certa vez, entrei em um pub, atraído pelo bizarro nome na placa de ferro: “The Bag of Nails”. Depois do segundo pint de Guinness, tomei coragem e interroguei o barman sobre o nome da casa. O ruivo O’Neil tomou um gole do copo debaixo do balcão e contou a história do enigmático “The Bag of Nails”. Há 300 anos, o lugar era uma taberna que acolhia viajantes. Na porta, um cartaz com os preços dos quartos: um shilling para um pernoite ou apenas 6 pences se o hóspede fizesse sua própria cama. Quando um viajante afirmou que preferia fazer a cama, o estalajadeiro lhe entregou um martelo, pedaços de madeira e um saco de pregos…

Rindo da velha anedota, O’Neil acrescentou que havia um truque oculto no nome do pub. Pediu que eu repetisse várias vezes em voz alta o nome “The Bag of Nails”. Surpreso, percebi que acabei invocando “Bacchanals”, a festa romana de celebração de Baco, o deus do vinho.

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Animado pela descoberta, fui pesquisar sobre os pubs e suas lendas. O mesmo Charles Dickens, que pede reverência ao pub, registra uma hospedaria em Bristol, fundada em 1841, cujo nome, “The Jolly Sandboy”, lembra o tempo em que garotos espalhavam areia no chão, para absorver a cerveja derramada pelos clientes embriagados.

São comuns, no centro de Londres, pubs cujas placas celebram figuras ou símbolos da realeza: “The Red Lion”, “The Rose and Crown”, “The King’s Head”. Alguns contam casos pitorescos – “The White Hart” recorda o último cervo branco, abatido no século XVII em um bosque próximo. E “The  Cat and the Fiddle” é a corruptela de “Catherine La Fidele”, apelido da católica Catarina de Aragão, a primeira esposa de Henrique VIII.

Outro que carrega história no nome é “The Old Dog and Duck”, que recorda o esporte favorito de Charles II. Ele mandava capturar gansos selvagens, jogava-os em um lago e atiçava seus cães sobre eles. O cruel passatempo morreu com o rei, mas a antiga taberna ainda funciona em Southwark, ao sul de Londres. Por sua vez, o quilométrico “The Old Thirteenth Cheshire Astley Volunteer Rifleman Corps Inn” faz uma homenagem a um regimento de fuzileiros, dizimado nas guerras coloniais.

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Existem nomes ainda mais estranhos, que atiçam nossa curiosidade. Como “The Jolly Taxpayer”, “The Young Vanish” ou o divertido “Bunch of Carrots” (“Cambada de Cenouras”). O “Blazing Donkey” em Hay Hill, nos arredores de Londres, reúne pub, hospedaria e salão de festas. É típico do humour inglês convidar alguém para um casamento no “Burro em Chamas”…

Algumas denominações são tiradas poéticas como “The Dew Drop Inn” ou “The Hope and Anchor”. Em alguns casos, a origem dos nomes se perdeu na memória de gerações passadas. Fiz várias tentativas, sem achar uma explicação razoável para “The Cat and Cabbage” (“O Gato e o Repolho”) ou “The Pig and the Whistle” (“O Porco e o Apito”). E nem mesmo o garçon O’Neil sabe a estória do tradicional “The Swan with Two Necks”(“O Cisne com dois Pescoços”). Seria preciso morar em Londres ou passar longas temporadas por lá, para investigar as histórias dos public bars. Mas existe um risco: ficarmos cativos dos encantos de um certo pub e adotá-lo para sempre.

Como no caso do “The Cittie of Yorke”, uma encantadora taberna que está   no mesmo lugar em Holborn, há muitas gerações. O lugar é carregado de história, a cerveja escura é abundante e se saboreia a comida tradicional do campo inglês. Ali não existem enigmas no nome. Que apenas mantém a ortografia original da época de sua fundação – o ano de 1430.

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Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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