
Fala-se de uma nova idolatria: o culto à inteligência artificial como escada inevitável do desenvolvimento. Há quem sinta verdadeira tortura existencial diante da ideia de viver sem esse apoio. Mas, se olharmos com calma, há algo maior acontecendo. Caminhamos, e não estamos longe disso, para um mundo em que todos terão acesso a tudo. O conhecimento, por séculos privilégio de procura e pesquisa, trancado em bibliotecas e universidades, está sendo democratizado como nunca a humanidade experimentou. Nesse novo contexto, a pergunta deixa de ser “o que você sabe?” e passa a ser “o que você faz com o que sabe?”.
Nessa nova era, o vetor de desequilíbrio muda de lugar. O conhecimento deixa de ser o diferencial e se torna o ponto de partida, o chão comum. O que separará uns dos outros será a habilidade de usar produtivamente esse saber e, sobretudo, a atitude de querer usá-lo. Saber não basta: é preciso saber fazer. E, mais do que isso, é preciso querer fazer.
É aí que mora a nova dinâmica do nosso tempo. A democratização do saber exige de cada um de nós o desenvolvimento do saber fazer e do querer fazer. Não há mais desculpa para a plateia: todos fomos chamados ao palco. O conhecimento está a um toque de distância. A pergunta que fica ao fim do dia é a mais simples e a mais poderosa: o que eu fiz, hoje, com tudo o que tenho à mão?
Porém, sempre é importante ressaltar que tecnologia não escreve a nossa história. Ela apenas nos entrega a caneta. No máximo, também fornece o papel. O resto, como a tinta, a coragem, a vontade, continuam sendo, como sempre foi, inteiramente nossos.


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