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Quem manda neste país?

Afinal, quem está governando, de fato, o Brasil? O questionamento faz sentido diante da pulverização do poder que se observa, justamente partir  do centro do poder, que é Brasília. O chefe do Executivo,  que seria o responsável primeiro pela administração do pais, é o presidente da República. Luiz Inácio  Lula da Silva.  Entretanto, Lula precisa fazer arreglos com o presidente do Senado, o esperto Davi Alcolumbre, que tem a caneta na mão para despachar para a votação  os projetos de interesse do governo. O insosso presidente da Câmara, Hugo Motta,  também é cortejado porque o Legislativo assumiu grande parte da execução do Orçamento da República e quem tem a chave do cofre, tem poder. Até por isso, nunca antes na história da República  o Executivo foi tão dependente das decisões do Legislativo e agora também do Judiciário.

Ah, o Judiciário e sua corte maior. O contestado STF, mesmo assim, manda e desmanda, legisla muitas vezes em causa própria, determina  quem vai preso e quem deve ser solto, anula processos e vai além das suas prerrogativas de defensor da Constituição. Igualmente, nunca antes o STF se outorgou tantos poderes como agora, com revezamento entre suas excelências para saber quem está podendo mais no momento. 

Cresce também  o poder de uma instituição que deveria ser a mais confiável do Estado:  a Polícia Federal. Como tem o mapa da mina das informações privilegiadas, a PF extrapola o seu poder e, com frequência, foge ao controle, deixado de ser ima instituição de Estado para ficar a serviço do governante de plantão. Ou, ao contrário, tem tanto poder que pode  aprontar até contra o presidente, como está ocorrendo agora no caso do Lulinha e seus lobbies junto ao governo. 

Tem ainda o deus Mercado, todo poderoso, com suas garras mais visíveis representadas pelos times da Faria Lima e o sistema bancário,  símbolos do poder do mercado financeiro brasileiro, ditando dia após dia,  – preferencialmente em seu benefício – os rumos da política econômica nacional que, ao fim e ao cabo, é o que garante a governabilidade.  

Ah, não vai faltar quem faça a cobrança: “Não vai falar da Rede Globo e do poder da mídia em geral?”.  A mídia está em crise, com credibilidade em baixa,  perdendo audiência, leitores e ouvintes e não tem o mesmo poder de influir nos destinos da nação, como a  Globo fez na disputa entre Collor e Lula, nas eleições de 1989.  Então, vai para a prateleira da segunda divisão dos poderes.

Essa análise, sem nenhuma pretensão acadêmica, até se justifica porque  este anovamos escolher um novo presidente da República, mas não necessariamente quem vai governar o país.

Autor

Flávio Dutra

Flávio Dutra, porto-alegrense desde 1950, é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), com especialização em Jornalismo Empresarial e Comunicação Digital. Em mais de 40 anos de carreira, atuou nos principais jornais e veículos eletrônicos do Rio Grande do Sul e em campanhas políticas. Coordenou coberturas jornalísticas nacionais e internacionais, especialmente na área esportiva, da qual participou por mais de 25 anos. Presidiu a Fundação Cultural Piratini (TVE e FM Cultura), foi secretário de Comunicação do Governo do Estado e da Prefeitura de Porto Alegre, superintendente de Comunicação e Cultura da Assembleia Legislativa do RS e assessor no Senado. Autor dos livros ‘Crônicas da Mesa ao Lado’, ‘A Maldição de Eros e outras histórias’, ‘Quando eu Fiz 69’ e ‘Agora Já Posso Revelar’, integrou a coletânea ‘DezMiolados’ e ‘Todos Por Um’ e foi coautor com Indaiá Dillenburg de ‘Dueto – a dois é sempre melhor’, de ‘Confraria 1523 – uma história de parceria e bom humor’ e de ‘G.E.Tupi – sonhos de guri e outras histórias de Petrópolis’. E-mail para contato: [email protected]
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4 Comments

Dilan Camargo

Excelente crônica que desvenda os porões e os sótãos do poder em Brasília e em suas ramificações.

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Carlos Edgar Fontoura Vaz

O risco da atual situação, é uma mobilização política para atentar contra a democracia. Existem indícios de que os bastidores estão indicando o rumo que estamos seguindo, sem que a população esteja percebendo os riscos que estamos correndo. O pior de tudo é que aventureiros não faltam, para se alçar ao credenciamento de lider da nação.

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