Recentemente fui submetida a uma pequena cirurgia no nariz e contrariando o desejo de minha mãe, que não mora mais em Porto Alegre, dispensei seu deslocamento para a capital, a fim de me acompanhar no hospital e no pós-operatório, que foi muito enjoado. Em compensação, tive o apoio constante de minha filha Gabriela e o carinho do meu afilhado Rafael, no hospital e no primeiro dia depois da cirurgia. Os dois foram incansáveis. Mimando e paparicando a enferma, que aumentou a importância da doença para curtir todos os cuidados: ganhei muito chá de camomila, cama arrumada, comida quentinha e remedinho na hora exata.
Tudo na mais perfeita ordem ou desordem, dependendo do ponto de vista. Não fosse a falta imensa que me fez o colo de mãe. Não fosse a inconsolável saudade que eu senti do cafuné materno. Ou as incontáveis vezes em que desejei a presença, ora serena, ora enérgica, de minha mãe ao meu lado durante o pequeno período de recuperação. E que se registre: ela não veio atendendo minha vontade de poupá-la, uma vez que já não dispõe de todo o vigor e ultimamente briga com os dias que lhe restam na vida.
Mas a situação serviu apenas para reforçar que colo de mãe é sempre o remédio mais adequado e que não adianta se lutar contra as evidências. Não importa quão velho ou amadurecido se esteja, um carinho de mãe é carinho de mãe em qualquer lugar deste mundo. Nem quanta experiência de vida se acumule, mas um conforto de mãe é sempre bem recebido e esperado. E em qualquer situação, abraços de mãe devem ser aplicados sem contra indicação, nunca em doses controladas ou homeopáticas; beijos maternos podem e precisam ser distribuídos de hora em hora e nada é igual a um chá feito pela mamãe ou uma canja de galinha feita às pressas.
Por isso, foi com sentimento de culpa que deixei a minha pequena Gabriela (porque a filha é sempre uma criança aos olhos da mãe) nesta quarta-feira de manhã, com febre e dor de garganta, curtindo um início de gripe de começo de estação. Mesmo com provas trimestrais, ela não conseguiu ir ao colégio e ficou dormindo como um anjo na minha cama, com seus lindos cabelos longos castanhos escuros esparramados sobre o meu travesseiro, enquanto eu me arrumava para o trabalho. E o meu desejo era ficar ali com minha filha, mimando-a com cuidados maternos, controlando a febre, oferecendo quitutes e fazendo cafuné nas suas madeixas.
Impedida de faltar ao serviço atuei como tele mãe, com ligações esporádicas ao seu celular para saber se a febre havia baixado, se ela continuava com dor de cabeça, se o nariz estava entupido, se a garganta havia desinchado, se ela havia comido se queria que eu levasse algo especial. Cuidados e cuidados que sempre tive de minha mãe, que optou por não trabalhar e zelar pelos filhos, nas vezes em que adoeci enquanto pequena adolescente e até adulta. Porque mães são sempre iguais. São sempre mães. Nunca negam um carinho ao filho enfermo. Jamais abandonam definitivamente seus rebentos. E sempre mantém a preocupação como se os filhos fossem eternas crianças.
Nesta semana em que se comemora o Dia das Mães, aconselho que todas as mães exerçam com exaustão os seus papéis, que jamais economizem nos carinhos e nos cafunés, e que sejam sempre mães e filhas enquanto lhes for permitido.

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