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Quero o mundo e não quero nada

Excepcionalmente nesta quinta-feira, 9 de junho, antes de comemorar o aniversário presente de 2011 (e me recuso a dizer a idade, mas é só …

Excepcionalmente nesta quinta-feira, 9 de junho, antes de comemorar o aniversário presente de 2011 (e me recuso a dizer a idade, mas é só brincadeira, juro!) brindo todos os meus aniversários passados e futuros. E, cheia de pretensão, convido-os a engrossarem as comemorações. Porque quando se adquire um certo acúmulo de maturidade, existe um tempo de saudar o que já se foi e o que ainda nos será permitido viver. Mas é preciso muita coragem (e acho que ainda tenho) para se olhar de ré o que se viveu e audácia (essa, às vezes, falta) para imaginar o futuro.

Na carona da genialidade de Álvaro de Campos, digo que “no tempo em que festejavam o dia dos meus anos, eu era feliz e ninguém estava morto”, e por isso, planejava comemorar com uma reunião-dançante com luz negra (te mete!), ou um churrasco no quintal da casa com a família e quem sabe até uma viagem com um namorado/companheiro. Bons aniversários aqueles em que toda a ternura do mundo não cabia dentro de uma embalagem de presente. Inesquecíveis aqueles aniversários ao lado da madrinha, irmão caçula, e tantos outros que já se foram, assim como os amores que se desencantaram.

E hoje que “já não faço anos” e sim somo os dias, informo que continuo exigente no presente e que desejo as comemorações com direito a “parabéns prá você, nesta data querida…” De presente, se possível, quero o mundo embrulhado. Com todos os seus destemperos e suas idiossincrasias. Nunca tive nada fácil na vida. Tudo foi desejado, almejado e suado até o fim. E, por isso mesmo, sempre imensamente compensador. Não seria diferente agora nesta fase dos enta.

Mas se o mundo estiver muito inacessível, não vou me decepcionar se eu não ganhá-lo. Encontro-me em um determinado estágio da vida que me sinto preparada para qualquer desafio, inclusive não receber o mundo de presente, mesmo que isso me custe algumas lágrimas. Porque posso também não querer nada e sair atrás de tudo. Estou em constante e galopante mutação sem que isso signifique uma instabilidade, exceto aquela peculiar a uma geminiana legítima.

Já que posso pedir algo nem tão mensurável neste aniversário de 2011, imploro aos deuses, santos, orixás, bruxas, budas e assemelhados que afastem de mim a inveja, o olho gordo, o ciúme e o mal olhado daqueles que não se realizaram profissionalmente. Peço que neutralizem comentários maldosos e que são típicos daquelas pessoas que nunca comemoraram seus aniversários passados, presentes e futuros. Rogo que joguem muito sal grosso naqueles que comentam a minha vida feliz ao lado da minha filha Gabriela, mas no fundo nutrem um certo sentimento de tristeza pelo que não possuem.

Para os próximos aniversários, gostaria apenas de ter saúde para seguir a vida comemorando com os parentes que sobraram, os amigos que resistiram, os novos amores e os bebês que recém estrearam na família. Apenas força para que nunca me falte inspiração para escrever, coragem para me aventurar em novos desafios profissionais e velas para assoprar.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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