Colunas

Refúgios

 “- O problema das pessoas é que

elas estão um drinque a menos”.

Humphrey Bogart.

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Em Nova York, se ouve dizer que o melhor lugar para encontrar um filósofo é no balcão de um bar. Não sabemos se é fato ou lendário urbano, mas o cinema e Humphrey Bogart imortalizaram a cena do bebedor solitário afogando mágoas e se confessando ao homem do outro lado do balcão.

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Qual seria o bar ideal, o refúgio buscado pelos bebedores sérios  e por falsos boêmios? Para o lendário Frank Sinatra, o bar perfeito só existe na tela dos cinemas. Para quem vive à noite, o bar sonhado sobrevive na memória das antigas ilusões. Estórias urbanas falam de lugares secretos, onde nos vamos nos refugiar das asperezas do dia. 

Lá encontramos um personagem mítico – um sujeito de jaleco branco, que mora atrás do balcão. Ele sabe nosso nome, ouve nossas lamúrias e mais do que tudo, sabe preparar um Dry Martini. Com um pouco de sorte, podemos encontrá-lo polindo copos em um pub irlandês na 6a. Avenida em Nova York. Ou no bar do antigo Hotel Alvear, em São Paulo, ou talvez no desaparecido Je Reviens, aquele que se debruçava sobre o Largo dos Medeiros.

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O ator Dean Martin, ex-companheiro de Jerry Lewis em comédias notáveis, era assíduo nos melhores bares de Los Angeles e Nova York. Seu favorito na Big Apple era o Bull & Bear no Waldorf Astoria. Que também era o segundo lar para o escritor Truman Capote, que podia ser visto bebendo cocktails de champanha, enquanto rabiscava nos guardanapos de papel que depois enfiava nos bolsos. A busca por um lugar para relaxar e pensar na vida revela nosso inconsequente desejo de fazer voltar os ponteiros do relógio, refazer um encontro que não houve ou retomar o caminho para  o qual faltou coragem. Vai acontecer amanhã ou depois, em um sonho ou de verdade. Será mais ou menos assim – ao dobrar uma esquina qualquer, veremos um letreiro luminoso em neon, o mesmo dos filmes em preto-e-branco. No balcão, o barman prepara um cocktail, usando o shaker à moda antiga, sobre o ombro. Ele não nos pergunta nada, apenas serve o que gostaríamos de beber. 

E a festa continua, delirante e prazeirosa. Depois de algumas doses, entra no bar um pianista negro, meio parecido com Dooley Wilson, Ele senta ao piano ao lado e cantarola uma melodia que nos é conhecida como “As Time Goes By”…

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Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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