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Ri melhor quem ri por átimo

Não era só a Atma que era ótima, o átimo também é. Atino isso agora, assim que desatino a delinear estas linhas. O bom …

Não era só a Atma que era ótima, o átimo também é. Atino isso agora, assim que desatino a delinear estas linhas. O bom é que as entrelinhas se fazem por si, entre elas. Entretanto, enquanto enquadro essas palavras no esquadro desta área eletrônica, entretenho você com entreletras. Entrementes, no entrecho do assunto, entrelaço sinais gráficos na entretela da alva folha em que você por ora se apega. Sem entrevero, entrego algumas tréguas, os intervalos das frases, os entreatos de idéias. Os interregnos se preenchem, com recheio de interrogações. Que desintegram este texto, na íntegra. E revelam o lazer entre a minha escritura e a sua leitura: eu sigo o seu raciocínio antes que o seu o meu siga. Prossiga: só a sua releitura torna este prazer relevante. Um enlevo que aventei e tentei inventar dias atrás, para a atenta atenção que você me traz neste momento. Essa é uma experiência antiga: a intriga a quatro mãos. As minhas, no computador, no meu agora que já passou; as suas, no seu agora que inda viria aqui no site. Ambos na ágora imensa da comunicação, desde aqui até aí, esse espaço que nos congrega, autor e leitor, como habitantes dos hábitos de ler e de escrever. E nos agrega, gregos e goianos, essas gratas greguerias. Sem ou com graça, nos congraçamos em meio à crônica que se finda, numa proximidade atemporal, entre alhures e nenhures. Minha imaginação é assim: adora passear de mãos dadas com os pensamentos alheios. E o passeio, ora veja, já é uma página virada. Vire-se.
… as comemorações pelo aniversário da cidade não precisavam daquele mico marqueteiro no Cais do Porto, chamado Sabores de Porto Alegre. Nada contra o evento, com shows em homenagem à cidade. Apenas o incômodo de ser atraído por uma falsa promessa: em vez de sabores porto-alegrenses, uma dúzia de barraquinhas de fornecedores de um supermercado oferecendo ao público uma degustação artificial, de produtos industrializados, ricos em acidulantes e conservantes, de marcas nacionais e multinacionais. Quer dizer, apenas consumismo mal-disfarçado a empanar uma iniciativa que podia ser realmente saborosa e caracteristicamente regional. Argh.
…que os pais e professores que passam o ano instruindo as crianças a respeito da importância de se poupar os recursos naturais do planeta são os mesmos que na volta às aulas entopem os alunos de excesso de material escolar, num desperdício incoerente?

Autor

Fraga

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