Nesta terça-feira, houve uma sessão solene(reparem bem, solene) na Câmara de Deputados, em Brasília, homenageando os 100 anos do Santos Futebol Clube. Parece legal e até aí tudo bem, certo? Errado.
Isto porque a comissão organizadora decidiu colocar na mesa diretora da sessão solene o jogador Neymar. Foi o bastante para tumultuar de forma absurda os trabalhos da sessão, que deixou para trás a quilômetros de distância a aura de solene. Virou tietagem, gente atirando camiseta para que o jogador autografasse, fotos com crianças no colo, sorrisos e gritos. Isto tudo poderia acontecer desde que não fosse na mesa diretora de uma sessão solene de um dos mais importantes órgãos da administração federal. Um ambiente que deveria observar não uma sisudez(pois esta já está até fora de moda), mas uma sobriedade. Este momento tietagem explícita deveria ser reservado para antes ou depois da sessão “solene”.
Este comportamento de desrespeito às instituições(e por consequência, às pessoas) está entranhado no povo brasileiro e infelizmente se proliferando em velocidade assustadora. O nível de desrespeito cresce de forma geométrica. Vejo com frequência jovens destratando idosos em filas de supermercado (inclusive mostrando-lhes o dedo médio com naturalidade, como se não fosse uma ofensa importante), vejo motoristas engalfinhando-se ou vociferando por situações banais de trânsito, vejo pessoas expondo as entranhas de sua vida íntima em locais públicos. Sem falar nos carros de som ou “tunados” (carros com altíssima potência de som) sobre os quais falei na semana passada.
Parte da casa que deveria dar o exemplo de conduta uma atitude de desrespeito por si próprio. É mais ou menos como cuspir para cima. Ok, não sou ingênuo a ponto de achar que tudo isto é por acaso. Claro que esta atmosfera de desrespeito geral, de oba oba atende aos interesses de muitos. Mas não há como discordar que ela acaba voltando para gente. Ou melhor, contra a gente.
O ápice do episódio da sessão “solene” ocorreu quando um deputado discursava e Neymar, ao seu lado, batucava na mesa diretora. Fiquei – não sei como ainda fico, mas acho que a capacidade de indignação jamais vou perder – chocado com uma atitude de tamanho desrespeito. Parecia que o jogador estava em um pagode, um churrasquinho, uma roda de amigos.
Se não começarmos urgente a termos respeito uns pelos outros (começando de cidadão para cidadão), bem como com nossas instituições (elas também devem se fazer respeitar, através de suas práticas e integrantes), em breve os problemas aumentarão. A violência vem a reboque da falta de respeito.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial