Nestes finais de semana frios e gelados do inverno gaúcho, não desanime, Não se entregue à tentação de ficar somente de pijama velho, blusão de lã arregaçado e pantufa de pelúcia com cara de bichinho na ponta. Não suma embaixo das cobertas para acordar somente na hora em que o ronco do estômago lhe despertar. Não hiberne sozinha. Se for o caso, chame as amigas, os amigos, a família. Refaça o seu estoque de vinhos, queijos, pipocas e DVDs, Não se isole. Não se tranque para o mundo. Os dias e as noites nos meses frios do Rio Grande do Sul são de arrepiar, mas, literalmente, se aqueça neste inverno.
As medidas de acolhimento do inverno indicadas acima foram adotadas, quase na sua maioria, por esta que vos escreve. Muita coberta. Muito cinema. Muita comida e abaixo a ditadura da dieta. Um bom vinho tinto com o queijo que estava em oferta no supermercado porque ninguém consegue ser chique todo o tempo. Uma visitinha básica à exposição “Viva Elis”, na Usina do Gasômetro, que estava nos últimos dias. E como valeu a pena este programa. Para quem não é fã da Elis Regina pelo conhecimento que a exposição proporciona e para os que idolatram a maior cantora de todos os tempos, como eu, e sempre apreciam ler, reler, ouvir e novamente ouvir tudo sobre a Pimentinha.
Não escapei nem mesmo do tradicional sono espichado com o pijama velho (ai, é o próprio quadro da dor) até a metade da tarde de sábado. Nem de uma deliciosa sopa de capeletti, que é um dos agasalhos gastronômicos do inverno. Confesso que também apelei para um capuccino cremoso naquele estabelecimento do shopping que serve o melhor da cidade (não cito o nome porque não ganho para fazer propaganda). Mas, como sugeri no início da coluna (tipo, tou me achando e já até dou conselhos), não se entregue totalmente à reclusão total no inverno. Saiba mesclar as desvantagens do clima frio aos benefícios que o acolhimento permite e exige.
Talvez pela facilidade de me adaptar rapidamente ao inverno, com agasalhos, bebidas quentes e alimentos para o corpo e a alma, seja uma apaixonada pela estação fria. Nem todos podem ter todas as opções ao alcance. Nem todos são afortunados, como eu, que disponho de meios para comprar a comida e a coberta. Mas para ter carinho e afeto, que são fundamentais para aconchegar no inverno, não é preciso dinheiro.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial