Se o período conhecido popularmente como inferno astral, que consiste naqueles 30 dias anteriores à data do nascimento de uma pessoa, realmente existe, ele começou bem adiantado aqui para esta que vos escreve. A tal época em que se esbanja sensibilidade e se tem a nítida impressão de que tudo conspira contra deveria começar no dia 10 de maio (é só fazer as contas para saber que meu aniversário é em 9 de junho e gosto de bajulações). Mas parece que a minha estreia neste tal de inferno astral, em 2012, foi antecipada, sem direito a aviso para planejar, pelo menos, uma festa de despedida. Quando eu percebi, assim sem mais nem menos, estava mergulhada numa fase de “pouca sorte” (melhor usar este termo).
Por conta disto, as espinhas da puberdade resolveram invadir meu rosto e brigar para conseguir algum espaço com as rugas da idade. O exame de saúde periódico resolveu mostrar uma pequena alteração. A dor de cabeça parece se assemelhar muito a uma crise de enxaqueca. A sapatilha nova resolve incomodar e interrompe o passeio no shopping com o afilhado pequeno no sábado à tarde. O bolo de chocolate para o chá de domingo desandou. A validade do chá estava vencida. E se faço um título para ilustrar determinada matéria, tem sempre alguém achando que focinho de porco é tomada. Ai, meus sais.
Fala sério! É muita encrenca para uma pessoa só em tão pouco espaço de tempo. E sei que nem fiz travessuras suficientes para tamanho castigo (supondo que existe a teoria das compensações). Confesso que até desejei o homem da próxima. Mas também ele mima demais a sua namorada, leva ao shopping, não reclama de ir ao super, conversa sobre a família, dá presente e outras coisinhas mais. E foi um pecado rápido. Sem consequências. Ah, andei olhando com uma certa inveja não tão branca aquela vizinha de prédio de corpo escultural. Certamente ela mantém uma dieta alimentar saudável e não utiliza a esteira como extensão do seu roupeiro. Enfim, não creio que a antecipação do inferno astral seja um castigo fora de hora como resposta a estes pequenos pecadinhos.
Mas o certo é que penso em andar, até findar-se este tal do inferno astral, com uma placa de advertência. Algo semelhante aos avisos de “Mantenha Distância” ou de reformas “Estamos em obras para melhor atendê-los”. Para evitar qualquer decepção futura. Porque em decorrência destes dias e noites mais nebulosas, preciso informar: “eu estou bandida”.

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