Nesta minha vida louca e intensa, atravessei alguns momentos pesados, daqueles que qualquer vivente pensa que não conseguirá superar e que está vendo na sucursal do inferno. Nesta minha vida breve de 20 e poucos anos (hehehehe, e eu acredito nisto), já jurei que tinha colado chiclete na santa ceia e por isso estava sendo punida cruelmente. Nesta minha vida profissional de quase 30 anos (só de currículo, compreendem?), estive em situações limites, em que o caminho natural seria abandonar tudo e recomeçar em outra carreira. E, por inúmeras vezes pensei que jamais seria capaz de esquecer um amor mal sucedido.
Como nem sempre os dias e noites têm só capítulos ruins, muitas vezes o cenário apontava que tudo estava dando certo na minha vida e que eu era a feliz ganhadora de alguns momentos eternos de felicidades. Perdi também o cálculo das vezes em que parecia ser a melhor amiga do rei e merecedora de todas as honras do reino, sem esforço nenhum. E foram tantas ocasiões em que vi os meus sonhos mais complicados se realizarem, sem que fosse necessário fazer qualquer tipo de reparo nos desejos, que seria difícil relatá-las. Na profissão, pautas e pautas boas, furos inesquecíveis e reconhecimentos na hora exata.
E jamais estava sozinha. Tanto nas horas ruins, em que qualquer afeto é do tamanho ideal para aquecer a mente torturada e o carinho é o único remédio para confortar o corpo enfraquecido. Como nos momentos cheios de sucesso, em que o único desejo é ter alguém para repartir as alegrias das conquistas e o tempo sempre é escasso para repassar a receita da felicidade.
Habituei-me, ao longo dos meus 20 e poucos anos ou dos mais de 50, a socorrer-me, sempre, de uma categoria humana que atende pelo apelido universal de amigo ou amiga. Não importa o sobrenome, RG e nem o CPF. Porque amigo (a) é simplesmente amigo. Não tem hora do dia ou da noite. Não existe chuva que impeça o socorro ou sol que afaste o consolo. Não vale se é feriado, dia santo ou uma segunda-feira repleta de compromissos. Não tem desculpa a gripe, a febre, o atraso no trabalho, o jogo na Beira-Rio ou no Olímpico, a hora no médico, o happy já marcado antes da sua crise.
Eles (as) estão sempre prontos atender o nosso chamado. Ou ao meu (talvez porque seja também uma boa amiga). Alguns atendem pelo nome de Jorge ou Edgar e estão invariavelmente acompanhados de uma palavra adequada ao momento, um abraço que serve para toda angústia e um sorriso que espalha qualquer notícia positiva. E têm as Elianas, as Patrícias, as Soninhas, as Carlas, as Anas, Silvanas, Marias e Lessas, e tantas outras que não medem distâncias e nem se intimidam diante de uma tempestade. E nunca economizam em telefonemas, emails ou visitas quando a situação exige.
Neste dia 20 de julho, embora ao longo das minhas colunas aqui no portal eu tenha me revelado avessa às datas tão específicas e com viés comercial, preciso agradecer publicamente tantas pessoas que fazem dos meus dias e noites, períodos especiais e surpreendentes de superação. Necessito confessar que nem toda dor é infinita se temos um amigo (a) por perto, mesmo que seja virtual. Devo admitir que o chope no fim da tarde tem um sabor muito especial se é acompanhado de uma conversa amiga. E que aquela sessão de cinema é inesquecível se a amiga está ao lado. Assim como o futebol, a balada, o choro, a tristeza.
Tenho amigos especiais. E eles não ignoram o papel de destaque que têm na minha vida. Tenho amigas de todos os cantos do Brasil. A cigana do Pará, a sempre inesquecível Adriana, hoje em Fortaleza, e tantas daqui: as gurias da Saudosa, da Confraria de Brasília, da Prefeitura, das poesias e de outros locais. E os amigos na família, que nem precisavam ser amigos e ainda assim o são.
No Dia do Amigo, deixo o meu abraço a todos que caminham ao meu lado e tornam a minha jornada menos insuportável, pesada, desgastante, e alegram os meus momentos felizes. E um beijo especial e cheio de saudades ao meu irmão Dedé, Dédi ou Luli, que me deixou em 2003 e ainda hoje é meu grande amigo, e à minha mãe Mirthô, que partiu em 4 de julho deste ano, e foi a minha primeira amiga.

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