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Ser feliz é viver

Depois de um dia exaustivo de muito trabalho, nada melhor do que chegar em casa no início da noite e ser recebida como a …

Depois de um dia exaustivo de muito trabalho, nada melhor do que chegar em casa no início da noite e ser recebida como a pessoa mais importante do planeta, como a solução para todos os problemas, como a rainha do apartamento e como a luz no fim do túnel. Com direito a efusivos gestos de carinho, afeto e demonstrações verdadeiras de felicidade. Uma recepção calorosa e repleta de amor. Tem sido assim nos últimos 15 dias desde que voltei a trabalhar e o meu tempo de ócio anda mais escasso. Dalai, o cachorro shih tzu que habita a minha moradia há mais de sete anos e é minha companhia especial em todos os momentos, não economiza nos latidos, no balançar do rabo e nas corridas que realiza, de um lado a outro da sala sempre que está contente, para enfatizar que está muito feliz com o meu retorno. O cão fica esfuziante de alegria e termina por me transformar na criatura mais especial e querida da terra.

E ao reparar nestas atitudes de boas vindas do Dalai percebi como a felicidade pode ser encontrada em pequenos gestos, ações, momentos e horas do dia a dia das pessoas. Às vezes, na angústia de procurar incessantemente a felicidade narrada nos contos de fadas e nas estórias infantis onde tudo sempre acaba bem, deixamos que ela escape da nossa rotina e não valorizamos pequenas doses de contentamento. Portanto, a minha felicidade pode ser sim uma recepção calorosa do neto canino. E quem há de duvidar que o Dalai realmente sentiu a minha falta durante o dia em que estive ausente? E quem não acredita que o shih tzu sabe exatamente a hora em que devo voltar do trabalho e me espera ansioso? E alguém pensa que estou valorizando e superdimensionando um amor canino? Certamente aqueles que não privam da dedicação sentimental dos cachorros.

Pois esta coluna é totalmente dedicada aos pequenos instantes de felicidade que invadem a nossa rotina e nem sempre detectamos. Como a felicidade que me dominou ao entrar no meu quarto, após um dia intenso de labuta no domingo, e ver que a minha querida filha Gabriela havia arrumado a cama que eu deixara toda bagunçada. Organizada.  Ou os pulos de alegria que dei ao saborear a janta que Gabriela preparou para me esperar num dia qualquer da semana. Deliciosa. Porque mesmo agora já uma adulta responsável, uma mulher linda e cheia de deveres, um ser humano especial que está sempre defendendo o direito dos outros, uma cidadã cumpridora de suas obrigações, Gabriela ainda me emociona com gestos inesperados como os que citei acima. E é claro que ter uma filha como a Gabriela é um dos motivos de felicidade constante. Olhar para Gabriela e ver no que ela se transformou é a maior felicidade do mundo.

Existe algo mais representativo da felicidade do que os carinhos espontâneos do meu afilhado Lucas? Claro que não! O pequeno sobrinho, de quatro anos e seis meses, tem reclamado a redução das minhas idas à Butiá, cidade onde ele reside com o seu pai, que é meu irmão e minha cunhada. Na semana passada, durante um almoço juntos no meio da semana no Shopping Iguatemi, Lucas foi intenso em abraços e beijos, mimando muito a sua dinda. Sentou várias vezes no meu colo, acariciava meus cabelos, perguntava sobre o serviço, me convidava para brincar e afirmou, diversas vezes durante menos de uma hora, que estava com muita saudade da madrinha. Ou a felicidade que sinto ao ver o meu outro afilhado, filho da minha mana mais velha, o Rafael, que completa 30 anos no dia 26 de agosto, aperfeiçoando seus estudos na Califórnia e se tornando uma pessoa melhor.

Ser feliz é bem menos complicado do que se possa imaginar. As pessoas é que têm a mania de tornar tudo mais difícil, mais impossível de conquistar. Para se alcançar a felicidade, algumas doses de alegrias sem grandes pretensões já são suficientes. Nada melhor do que ser feliz ao pagar as contas no final do mês, ver o sucesso da filha, conviver com a família nas horas de folga, encantar-se com as travessuras do cachorro, saborear guloseimas, manter a leitura em dia, escutar boa música, escrever, cantar. emocionar-se, viver. Ser feliz é viver.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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