Lula: “Queremos dizer ao mundo que nós podemos”. Nós nunca dissemos. No Brasil, estávamos habituados a dizer nós não podemos, somos pobres, como se fôssemos cidadãos inferiores. Mas desta vez queremos olhar para o mundo e dizer: “Sim, nós podemos e vamos realizar essa Olimpíada” (Jornal do Brasil, 04.10.09)
Carlos Alberto Nuzman, Sérgio Cabral, Eduardo Paes e o presidente Lula deram o melhor de si e tornaram vitoriosa a candidatura do Rio de Janeiro para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016 que, somados à Copa do Mundo de Futebol de 2014, vão promover no Rio e no Brasil investimentos gigantescos.
Independentemente de grandes e eventuais ganhos no espólio a ser deixado, só a abertura de milhares de postos de trabalho é motivo para justas comemorações nos segmentos visíveis da arquitetura, da engenharia, da construção, da hotelaria e do urbanismo.
Quero colocar alguns reparos nas palavras presidenciais acima, quando o notório camelô de si mesmo evidencia, no texto e no contexto, o autoelogio ao seu governo.
A Segunda Guerra Mundial impediu a realização das Copas de 1942 e 46, e a FIFA estava com dificuldades para organizar a próxima Copa do Mundo, que queria em 1949. Países praticantes de futebol estavam mobilizados na reconstrução de uma economia fragmentada pelo conflito e, no Congresso da entidade em 1946, o Brasil apresentou-se e afirmou: Se, em 1950, sim, nós podemos.
Proposta aceita, naquele ano, Rio, então Distrito Federal, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife e São Paulo sediaram os jogos entre os países classificados nas eliminatórias: Bolívia, Chile, Espanha, Inglaterra, Itália, Estados Unidos, Iugoslávia, México, Paraguai, Suécia, Suíça, e o anfitrião Brasil.
Em agosto de 1948, enfrentando um bombardeio de críticas, entre as quais a de Carlos Lacerda, e com o apoio absoluto do jornalista esportivo Mário Filho, o prefeito do Rio de Janeiro, general Ângelo Mendes de Morais, com vistas à Copa, iniciou as obras do Maracanã (hoje Jornalista Mário Filho) que, com os seus 200 mil espectadores iniciais, foi durante muito tempo o mais colossal estádio do mundo.
Com o Maracanã recebendo 179 mil torcedores, em 16 de julho encerrou-se a competição. O Brasil perdeu para o Uruguai por 2 a 1, mas provou que podia realizar a Copa.
Em meio às merecidas comemorações pela futura realização dos Jogos Olímpicos (Olimpíada era o período em que não havia os Jogos) – sem fazer a defesa de governo nenhum –, quero ressaltar grandes amnésias que o PT tenta esconder da memória nacional.
O presidente Itamar Franco (dezembro de 1992/janeiro de 1995), responsável pelo Plano Real, autorizou que seu ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, usasse de todos os instrumentos necessários para a implantação da nova moeda que, de julho de 1965 a junho de 1994, derrubou quatro reformas monetárias e uma inflação de 1,1 quatrilhão por cento, fato que não acontecia desde a inflação alemã de 1920.
Se você não sabe quem fez a maior oposição ao Plano Real, pergunte ao presidente, ao Mercadante e outros iluminados do PT.
A Bolsa-Família, que dá enjoo em grande parte da classe média, também deu enjoo no seu maior oposicionista, quando implantada. Pergunte ao presidente da República, ao Mercadante e a outros iluminados do PT quando foi que se curaram desse enjoo.
Quando os “entreguistas” começaram a entregar empresas brasileiras nas mãos de gestores competentes, a gritaria foi imensa, mas, pessoalmente, me livrei da Telerj e do Banerj, de uso compulsório, e da calamidade das estradas estaduais. Perguntem ao presidente e ao Mercadante os motivos pelos quais privatizaram sete trechos de estradas federais.
Se quiserem fazer uma macropergunta, ela simplifica os rumos de nossa economia que, latu sensu, insiste no modelo da “herança maldita” do FHC.
Assim como ninguém pode negar a inteligência e a esperteza do presidente, ninguém pode culpá-lo pela sua crassa ignorância, pois a informação, desde a colonização, tem sido reserva de mercado dos favorecidos.
Não gosto e nem suporto a doentia necessidade desse notório falastrão de abrir a boca e espalhar bobagens. Coisa que FH nos poupou.
Quanto aos Jogos Olímpicos, vozes negativas já anunciam corrupção. Eu, otimista nato, registro: só se rouba quando há o que roubar.
Inté.
Desafio à memória: Qual o ano em que, em Porto Alegre, o “gol” deixou de ser “golo”? Respostas para [email protected]

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