“Foi uma noite perfeita”. A frase me saiu de forma espontânea, no microfone do palco do Palácio dos Festivais, há uma semana, quando recebíamos, por Filhas da Lua, o Kikito de melhor longa-metragem gaúcho no 54º Festival de Cinema de Gramado. A frase tanto abriu a reportagem do excelente crítico de cinema Ticiano Osório no portal GZH, como foi exibida no clipe de melhores momentos do festival, apresentado no telão do palácio, na noite de encerramento.
Justifico aqui o porquê da frase: no início da noite, eu e a Tatiana Sager – aliás, principal responsável por eu ter ingressado e estar no meio audiovisual -, havíamos sido homenageados com a outorga do Prêmio Iecine Destaque, pela contribuição para o desenvolvimento do audiovisual no Rio Grande do Sul. Foi um reconhecimento ao trabalho documental que temos realizado, principalmente com focos no sistema prisional e nas minorias.
O que começou para nós com uma homenagem, terminou com uma espécie de consagração para o nosso filme que, fechando uma trilogia com Central – O Poder das Facções no Maior Presídio do Brasil, que tratou do encarceramento masculino, e Olha Pra Elas, sobre o feminino, aborda a situação de mulheres trans e de travestis que passaram pelo sistema prisional. A propósito, fica aqui a nossa gratidão às personagens Dara de Brum Borges, Fabíula Yasmim Santos Rezende, Rafaela Hammel e Rubby Moreira.
Filhas da Lua, além de melhor longa gaúcho do festival, recebeu Kikitos do Júri Popular e também de melhor montagem, de Gabriel Sager Rodrigues, também diretor de fotografia. Aqui o meu agradecimento à nossa brava equipe. Começando pela Tatiana, produtora do filme, juntamente comigo. A própria Tatiana, com o Gabriel e com o Li Rassier de Andrade, respondeu pelas funções de direção e funções conexas.
Os três também foram decisivos para o roteiro, que foi iniciado por mim, mas ajustado e muito bem refinado por eles, em plena Amazônia, enquanto participavam da produção do curta-metragem “o Retorno”, dos diretores Cesar Meneghetti e Mario Gianni, com produção minha e da Tatiana, da Falange Produções, com coprodução da Panda Filmes. Esse filme participou da mostra competitiva de curtas-metragens gaúchos nesta edição do festival.
A propósito de roteiro, durante o debate sobre o Filhas da Lua, em Gramado, nos foi perguntado sobre uma possível mudança de estilo em nossos trabalhos, na comparação deste longa com documentários anteriores, como Central, Olha Pra Elas e o curta Envergo, Mas não Quebro, que esteve no festival em 2024. Não houve mudança e mantemos a convicção de darmos aos documentários a densidade narrativa necessária de acordo com os personagens e a realidade abordada.
Em Gramado, marcamos presença também na mostra paralela (não competitiva) com o longa-metragem Grenal: o Maior Clássico das Américas. Produzido pela produtora carioca Giros Filmes, com coprodução da Panda Filmes, o documentário retrata a história e toda a paixão que envolve a rivalidade da dupla Grenal. A direção é de Belisário Franca e da Tatiana Sager, com direção de fotografia de Gabriel Sager Rodrigues, direção adicional minha e do Rafa Ferrete, e envolvimento de boa parte da equipe da Panda Filmes. O longa deve entrar em cartaz em setembro.


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