
“Mostre-me um herói e escreverei uma tragédia.”
F. Scott Fitzgerald.
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Foi na exuberante década de 1920 que aconteceu uma das mais compungentes crônicas de amor do universo literário norte-americano. Um cenário de cinema: jazz, melindrosas de pernas de fora, cabarés esfumaçados, conversíveis amarelos e festas nos grandes salões. Somente um Ernest Hemingway seria capaz de escrever um dramalhão semelhante ao que foi protagonizado por Zelda e Francis Scott Fitzgerald.
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Em 1918, o jovem tenente Francis Scott Fitzgerald servia no forte Sheridan, no Alabama, à espera da ordem para entrar na guerra que acontecia do outro lado do Atlântico. Uma noite, vai a um baile onde encontra uma beldade local, Zelda Sayre, pela qual se apaixona. A guerra termina e ele se muda para New York, onde reencontra Zelda e escreve This Side of Paradise. O livro faz um sucesso estrondoso, projetando o casal na elite social e cultural da cidade. Os primeiros anos de casamento são marcados por muito alcool e festas selvagens. Quando Scott publica The Beautiful and Damned sobre a geração perdida, Zelda sente-se enciumada e traida, e escreve “acho que para Mr. Fitzgerald, o plágio começa em casa”, insinuando que o marido plagiara seu diário íntimo.
O casal muda-se para Paris, então a meca sonhada por todos os escritores norte-americanos. Mas, infelizmente para o Casal Dourado – como eram chamados pelos jornalistas – Paris não foi nenhum paraíso. Nos anos 1930, Zelda sofre colapsos nervosos e é internada por longos períodos em sanatórios na Suiça. Nesta mesma época, Scott, afogado em álcool, sofre um apagão criativo, sem conseguir terminar The Great Gatsby, que mais tarde seria considerada sua obra-prima. Neste período, as cartas de amor trocadas pelo casal revelam a extensão do drama que viviam. Em uma das cartas, Zelda desabafa:
“Você vivia bêbado o tempo inteiro. Não trabalhava e voltava à noite carregado por motoristas de táxi. E dizia que a culpa era minha, por dançar o dia inteiro”.
Scott devolve:
“Eu mal me lembro de você naquele verão, pois você tinha ido embora. Você era uma daquelas pessoas que não gostavam de mim e para as quais eu não fazia a menor falta. E eu sofria ao pensar em você”.
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O tempo passa e o tom das cartas se ameniza, com lamentos e arrependimento, antecipando o trágico final. Scott supera seus ressentimentos e colabora na revisão do romance escrito por Zelda, Save Me the Saltz, participa da produção de sua peça Scandalabra e consegue que suas pinturas sejam expostas em uma galeria de arte de New York. Quando os anos 1930 chegam ao fim, Scott demonstra remorsos e amarguras típicos de seus personagens:
“Nós nos arruinamos sozinhos – jamais cheguei a pensar seriamente que tenhamos nos arruinado um ao outro”.
Nos últimos três anos de vida, em busca de dinheiro para pagar as dívidas Scott vai trabalhar em Hollywood como roteirista de filmes. Escreve à Zelda, relembrando uma viagem que fizeram juntos em 1939:
“Você é a melhor, mais adorável, mais meiga e mais linda criatura que já conheci na vida. Mas isso não diz nem a metade”.
Em dezembro de 1940, com apenas 44 ,anos Francis Scott Fitgerald sofre um ataque cardíaco fulminante. Pouco antes, Zelda escrevera em jhma última carta:
“Continuo amando seu extraordinário talento, sua tolerância, generosidade e todos os seus abençoados dotes. Vamos sobreviver à nossa vida”.
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