Jogou a casca de banana no lixo e, enquanto mastigava, ficou matutando sobre a espécie humana. Acabara de ler no jornal que o DNA de um macaco tem 96,4% do DNA do homem. Já lera, antes, alguns números diferentes, mas muito aproximados que dão crédito às teorias de Darwin a respeito do evolucionismo.
Lera, também, um artigo de um cientista defensor do criacionismo, argumentando que as pesquisas realizadas careciam de rigor científico.
Lamentou-se pelo fato de que sua formação humanística não permitia avaliar as argumentações quanto à veracidade apregoada pelos cientistas quanto ao DNA de um chimpanzé ser quase idêntico ao do homem, ou seja, semelhante em 98,5%. Lera, inclusive, como o homem e o macaco podem estar tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes. Discussão para cachorro grande, pensou ele, longe de inclinar-se por um dos lados de uma suposta verdade.
Mastigava devagar a sua banana e tentava inserir o chipanzé Jimmy nessa controvérsia toda, mas Jimmy é um excepcional e não se presta a comparações.
Depois de muitas tentativas, inclusive tendo Jimmy sido protagonista – há algum tempo – de um inadequado habeas corpus, semana passada ele foi transferido de habitat e, deixando o zoológico de Niterói, ganhou o CEP de um santuário em Sorocaba, São Paulo.
A excepcional condição de Jimmy é que, com as patas e os pincéis, ele é um pintor abstracionista e, em dezembro passado, depois de um curso de pintura, expôs 14 telas numa galeria de Niterói. Sem credenciais artísticas para julgar se o talento de Jimmy não desonra o pioneiro abstracionista, o russo Kandinsky, ou seus principais seguidores no Brasil, os nipo-japoneses Tomie Otake, Manabu Mabe, Shiró e os patrícios Antonio Bandeira, Lygia Clark e outros, ele apenas concordava que Jimmy é um pintor.
Enquanto Jimmy dava suas pinceladas, o Notícias de Varjota, do Ceará, publicavava em 1° de julho: “Um caso misterioso ocorrido em Manicoré, interior do Amazonas, tem chamado a atenção de cientistas de todo o mundo. Uma jovem, de apenas 19 anos de idade, está grávida de um macaco chimpanzé. Na tarde deste sábado (25), alguns médicos e cientistas, brasileiros, japoneses, argentinos, americanos, e também uma equipe da NASA, estiveram no Amazonas para analisar o caso da garota. (Notícias de Varjota não é jornal de humor).
Deu a primeira mordida em outra banana e deixou a imaginação viajar.
Não seria possível que, antes de terminar sua jornada de seis dias criando o mundo, Deus ficasse insatisfeito com o seu produto macaco? Por que não melhorar um macaco e criar o homem? E, depois, tirar do homem uma costela e criar a mulher, pois não pode haver Paraíso sem mulher.
Na dúvida sobre suas origens, continuou degustando sua banana.
E, concluía, então, ser a banana uma oferenda da natureza, até mesmo para os que pensam bobagens.
Inté.
Vitrine (comentário sobre a coluna das Ilhas Diomedes)
Mario, está aí um assunto inusitado. Um prazer ler sobre as Ilhas Diomedes. Boa visita ao antigo atlas. Eta mundo grande. Abraços, Denise Demange, São Paulo.


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