Colunas

Tem nudista no forró

Ao retornar do recesso, nossos parlamentares serão confrontados com projetos capazes de revogar a semana brasiliense de três dias. Um, de autoria de Fernando …

Ao retornar do recesso, nossos parlamentares serão confrontados com projetos capazes de revogar a semana brasiliense de três dias. Um, de autoria de Fernando Gabeira, pede a regulamentação do nudismo. De acordo com o deputado (sem partido), tal prática favorece o “desenvolvimento da saúde física e mental das pessoas de qualquer idade”. A palavra nudista, por sinal, costuma enfurecer os adeptos do naturismo. Nudistas seriam meros exibicionistas de seus supostos dotes, enquanto naturistas são praticantes de um “modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, com o objetivo de favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e pela natureza”, ensina a Federação Internacional de Naturismo, uma espécie de Fifa dos pelados, que esqueceu de incluir na cartilha a célebre energia cósmica.

Outro projeto de grande relevância recebe a assinatura de Luiza Erundina. A ex-prefeita de São Paulo pelo PT, hoje no PSB, prega a criação do Dia Nacional do Forró. A data faz sentido: 13 de dezembro, nascimento de Luiz Gonzaga, o “rei do baião”. Segundo a deputada, trata-se de “uma homenagem ao povo nordestino que, como brasileiros, contribuem, e em muito, para a grandeza de nossa Nação”. O projeto define o forró como um “baile popular onde se dança o Baião, o Xote, a Toada e o Xaxado, é uma dessas manifestações que se difundiu em todo o país”. Do alto de sua nordestina humildade, Erundina concede: “O Forró não pertence mais só ao Nordeste, pertence a todo o Brasil”.

Nada indica a ocorrência de reações adversas no Congresso. Em tempos politicamente corretos, quem se atreveria a votar contra tais projetos? Tampouco há razões para surpresas. Nada mais natural num país em que se aprova uma lei tornando o chimarrão a bebida oficial dos gaúchos, se inventa a figura do comentarista de arbitragem de futebol e se cobra um imposto sobre serviços “de qualquer natureza”. Além do mais, o brasileiro médio anda sempre pelado e está acostumado a dançar.

[email protected]


Eliziário Goulart Rocha é jornalista e escritor, autor dos romances Silêncio no Bordel de Tia Chininha, Dona Deusa e seus Arredores Escandalosos e da ficção juvenil Eliakan e a Desordem dos Sete Mundos.

Autor

Eliziario Goulart Rocha

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.