
“Sou incapaz de descrever onde fui feliz,
mas sei o que ficou em minha memória”.
T.S. Eliot.
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Conheci um poeta que conseguia lembrar dos detalhes de sua infância distante, mas às vezes esquecia o nome da namorada. O tema Lembrança e Esquecimento é muito frequentado por escritores e poetas. Ninguém mais capaz do que eles para tentar desvendar as estranhezas da memória. O poeta Carlos Drmmond de Andrade – que nos deu tantos versos memoráveis lamentava não lembrar do que fizera no dia anterior, mas sabia na ponta da língua os nomes das ruas de sua Itabira natal, em Mina Gerais. Mas os poetas sabem como colecionar fragmentos do tempo passado para moldar versos que despertam nossos melhores sonhos e pesadelos.
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O multi-poeta Fernando Pessoa também era um incansável viajante do tempo e da memória. Ele questionava:
“Meu passado
Não sei quem o viveu.
Não sei se fui eu mesmo,
Estou confusamente deslembrado
(…)
Não sei quem fui nem quem sou…”.
Os pensadores e filósofos gregos acreditavam que guardar reminiscências não passava de um processo físico. A escola grega discordou, afirmando que a memória não se localiza no corpo, mas sim na alma. Uma visão mística que seria reafirmada por dois grandes santos, Agostinho e Tomás de Aquino. Para eles, a memória é um espaço na alma chamado “palácio da memória”, onde a fidelidadde à memória dos fatos passados determinaria a identidade do Eu.
E não tardaram em surgir as primeiras suposições de que a memória estava intimamente relacionada à personalidade do indivíduo de acordo com suas experiências vividas.
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Enquanto caminho por uma alameda forrada de folhas de Outono, me ocorrem lembranças antigas de quem eu era no passado. É o mesmo caminho percorrido muitas vezes, em sonhos recorrentes, herdados de outros tempos. Que termina sempre no mesmo lugar – um banco de pedra na praça onde eu brincava quando criança. Mas quando chego lá vem a dúvida: será que este banco coberto de folhas amarelas e vermelhas é real ou só existe em meus sonhos atrasados?
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