Inda que de férias, mas não querendo deixar em branco alguns fatos, posturas e comentários, quero mexer com os meus leitores ligados na cobertura desta Copa do Mundo, mas à margem do futebol.
Aos que me acham debochado, reafirmo: debochada é a realidade.
A respeito da correta posição do Dunga proibindo uma entrevista exclusiva da Rede Globo com a nossa Seleção, começaram a pipocar e-mails elogiando o Dunga, mas cujo objetivo, claro, era atacar a Globo.
“De repente, não mais que de repente”, como se lamentava o poeta Vinicius, o técnico da Seleção virou, para muitos, herói nacional. Como minha memória não se apaga fácil, lembrei-me de Getúlio quando os comunistas brasileiros receberam ordem de participação no movimento de “Renúncia”, liderado pela UDN de Carlos Lacerda e outras forças reacionárias.
Dia 25 de agosto de 1954, anunciado o suicídio de Vargas, os comunistas se integraram ao “quebra-quebra” da massa getulista/populista, numa reviravolta histórica.
A atitude correta de Dunga no episódio fez com que admiradores da pessoa do técnico, navegando contra a corrente até então quase unânime de críticas quanto ao seu temperamento e postura, pudessem elogiar a figura e prestar total solidariedade a todo o seu comportamento anterior.
É o caso do jornalista Alberto Luchetti, do Adnews, cujo artigo de admiração pelo Dunga foi transcrito aqui em Coletiva e cujo final transcrevo:
“Prova ainda maior do autoritarismo, prepotência, arrogância e incoerência da emissora carioca é o que se seguiu. Solicitada por vários veículos de comunicação para liberar o seu principal locutor esportivo, Galvão Bueno, para uma entrevista sobre a febre do twitter ‘Cala a boca Galvão’, a Rede Globo negou e alegou que o locutor precisava de concentração para poder transmitir as partidas”.
Se para falar tanta besteira e para cometer tantos erros na transmissão dos jogos Galvão ainda precisa de concentração, imagine você, leitor, o que não será necessário fazer com os jogadores que estão disputando a Copa. Certo está Dunga. A Rede Globo, com sua postura, provou que Dunga sempre esteve certo. A coerência do treinador da Seleção Brasileira deixou uma lição para todos nós, com pequena modificação de “Che” Guevara: “Hay que endurecer-se, a pesar de perder la razón”.
Eu me achava um tolo, até que tive a certeza.
Inté.
Vitrine (comentário sobre comentário na Vitrine anterior)
Mario,
Que espetáculo o depoimento do Roberto de Jesus Castro, Rio.
Foi (o adesivo), independentemente de qualquer rescaldo ideológico, a mais inteligente “Peça de alegria e união criada para um povo”, em um momento histórico certo de uma era de chumbo.
Como é gostoso saber que posicionaste tua inteligência, adequadamente e de forma brilhante, à disposição de um povo, que passava por um processo de humilhação terrível. Eloí Flores, diretor Campus Guaíba, Guaíba, RS.
Resposta ao comentário do Eloí:
Mario, espetáculo foi viver aquele momento.
Abraços. Roberto (Jesus Castro), Rio

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