Uma noite dessas, foi curioso. Fu Lana caiu, sem procurar, em uma festa muito maluca. Era em uma loja de roupas. Tinha muita gente na calçada e a griffe, ela já conhecia: Rouparia. A loja que já era diferente, ficou ainda mais cult. Com uma galera tri novinha na direção, abriga a nova vanguarda. Ainda bem. Já demorava a pintar. Nas paredes, desenhos aleatórios de Carla Barth, que vem a ser sobrinha do Fiapo, artista plástico gaúcho, artista gráfico, cenógrafo etc. Essa geração não vem descolada da anterior. Cada uma no seu tempo, formando novas tribos. Os desenhos, apenas colados nas paredes, sem qualquer moldura ou aparato, faziam a vernissage de um mundo mangá-memória-viagem. O traço às vezes delicado, detalhista e até inseguro da menina-artista anuncia forte personalidade que convive com a gracinha de seres dos quadrinhos de sonhos infanto-juvenis. Na parte de cima do chamado espaço comum de arte*, funciona o The!cut, na verdade um lance de cabelo, tattoo e piercing, onde rolava um som viajandão.
A algumas quadras dali, os prováveis tios, pais, e ancestrais dessa gurizada empreendedora divertiam-se no Ocidente em outra festa. Era a festa da Casa de Cinema. Fu Lana pôde perceber que, apesar da distância da idade, o clima é o mesmo: fazer o tempo e não deixá-lo passar. O futuro está mais perto do que se imagina.
*Espaço Arte Rouparia The!Cut
Fernandes Vieira, 656, Bom Fim, Porto Alegre

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