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Tuitadas, parte 1

Não existe concurso de medos. Se existisse, o de bala perdida ganhava disparado. Reforma agrária. Não é por falta de agrimensores que ela não …

Não existe concurso de medos. Se existisse,

o de bala perdida ganhava disparado.

Reforma agrária. Não é por falta de agrimensores

que ela não sai da estaca zero.

Da mortalidade infantil a maioria escapa;

da mortandade senil, ninguém.

Redes sociais, sim, mas os anti-sociais

também se refestelam nelas.

E as pessoas continuam jurando pelo que

há de mais sagrado, como se ainda houvesse isso.

Academia de Letras: para o folclore brasileiro,

um fardão; para a cultura nacional, um fardo.

O espírito de Natal já está nas ruas. Pra dentro, crianças.

Nasa: um pequeno passo para a bactéria,

um trote gigantesco para a humanidade.

Não bastasse o risco de extinção, os ecochatos

deixam os pandas com os nervos em pandarecos.

Humor negro: o que doura a pílula com chumbo.

Fatalidades são acidentes em que não se consegue

apurar as responsabilidades.

Sobriedade. Use com moderação.

Assim que a presidente assumir, vai ficar

mais evidente: a eminência parda mas não falha.

A presidente bem que podia instituir

o programa Bolsa de Estudos.

Pelo menos uma pro Ministro da Educação.

O problema pro Brasil construir seu futuro é que

a mão de obra e os materiais estão aqui, hoje,

e a vontade política se encontra no amanhã.

Tuitadas, parte 2

Os golpes nos bolões lotéricos comprovam:

se ganância fosse um número, seria divisível somente por 1.

Nada é para sempre, a não ser este clichê.

Ah, nada como uma noite entre dois dias, disse o paciente

ao sair de um coma prolongado.

Até numa cama desarrumada o sonolento se arruma.

Às vezes tudo vai às mil maravilhas. Vai, mas não volta.

Tudo que é bólido se desmancha num poste.

Pode ser que haja vida em algum outro lugar do universo.

Mas só até o homem chegar lá.

Os indispostos se atraem.

Calor humano não é um estado de espírito,

é um estado febril.

Insônia é quando Morfeu pede a senha e as pestanas não lembram.

Se contar carneirinhos ao deitar não adianta,

conte onomatopéias de ahhhhhh a zzzzzz.

O problema da onipresença é que, mesmo a fim duma folga

dos adoradores, Deus não tem como dizer ´não tô nem aí´.

Inércia é a preguiça corroborada pelas leis da física.

O cerco ao tráfico, no Rio, é o encontro

da força do hábito com o hábito da força.

Blindados nas favelas por causa das drogas é

blindagem em torno de Brasília, pela mesma razão.

Melhor seria se na rendição dos traficantes

os usuários também saíssem de mãos pra cima.

Tuitadas, parte 3

Não, infeliz, desfaçatez não é remover a pigmentação das pessoas.

Uma vez por ano, a fábrica de equipamentos de lazer

fecha pra balanço. Nas pracinhas, a criançada fica no ar.

Atender filantes é a filantropia com altos teores de nicotina e alcatrão.

Se a diplomacia constrange com vazamentos,

imagine os constrangimentos que não vazam.

Temperamental é alguém que dá dissabores até pra temperos.

Perspectiva eu olho meio de lado.

Se você aprisiona as idéias, só vai ter pensamentos fugidios.

O coloquial morre um pouco a cada vez que

alguém faz “colocações”.

Estão fazendo muita coisa em nome da lei, inclusive cadáveres.

Transplante: o ato cirúrgico de transferir um

corpo doente para um órgão sadio.

A maioria das empresas são montadoras. Algumas montam

automóveis, o restante monta nos empregados.

Morrer complica muito o convívio.

Só quem não é convencido tem alguma chance de convencer os outros.

Entre a esquerda que nos deixa de cabelos

em pé e a direita que nos tira o escalpo,

nem mesmo xampu pode ser neutro.

Ei, Nasa, aqui no Brasil as bactérias

hospitalares também se alimentam de tóxicos!

Pelo que se lê, muitos jornais estão usando

linguagem de uso exclusivo das forças armadas.

Tuitadas, parte 4

Quando cônjuges admitem que, definitivamente,

não entendem um ao outro, quanto entendimento!

A nau dos insensatos é um iate; a dos sensatos é uma canoa furada.

Felizes são os passarinhos, que vão ao ar sem perder o lugar.

Enquanto a esperança é a última que morre,

as falsas esperanças são as primeiras a tomar porre.

Como diria um troglodita:

Não se faz omelete sem destruir o galinheiro.

Se a intuição não nos diz nada, vai ver estamos

fora da área de cobertura ou temporariamente desligados.

Ainda se vê sabedoria popular por aí,

mas nem se compara à popularidade da burrice.

Um dia é da caça, o outro da impotência dos fiscais

do Ibama diante dos caçadores.

Dos defeitos de nascença,

o mais reincidente é o aumento da população.

Vítimas viram notícias; boatos causam vítimas.

Posso estar enganado, mas enganos não enganam a ninguém.

Como diria um troglodita:

Não se faz omelete sem destruir o galinheiro.

Quando os fins justificam os meios,

os princípios são baleados primeiro.

Ainda se vê sabedoria popular por aí,

mas nem se compara à popularidade da burrice.

A vida é um moinho.

Daí tanta farinha

do mesmo saco.

Autor

Fraga

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