
“Nos dias cotidianos é que se passam os anos”.
Millor Fernandes.
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Escritores de talento escreveram páginas antológicas sobre a passagem do tempo. Marcel Proust buscava de forma incessante o passado perdido, mas na verdade, nos leva a refletir sobre a ânsia de se sentir vivo. Escreveu que a felicidade não existe assim como a sonhamos e a desejamos. Ele procurava na memória gatilhos que resgatassem momentos felizes de sua adolescência. E os vai encontrar em uma madelaine molhada em uma xícara de chá.
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Mas não precisamos recorrer a nomes ilustres da literatura universal para uma reflexão sobre o tempo passado. Nosso poeta Mário de Andrade era um angustiado observador da implacável passagem dos dias e horas. Dizia que o que vale, ao final das contas, é a soma das pequenas felicidades do dia-a-dia e às quais não damos valor. E escreve estas preciosas linhas:
“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas… As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que restavam poucas, agora rói os caroços.”
Quando adolescentes, somos levados a perseguir superlativos sonhos de felicidade. Mas, a medida em que o tempo passa, vemos amigos e parentes frustrados por não alcançar a felicidade de contos de fadas e de musicais da Metro. No livro Vestígios de Felicidade, o escritor J.M. Foster diz que a felicidade humana não é um arco-iris mágico e duradouro, mas um estado de espírito que está ao nosso alcance a cada dia. Ela estaria nas pequenas venturas que nos são servidas, quase sempre, em homeopáticas doses. Aquele velho livro que descobrimos no fundo da estante, a flor amarela que brotou a um canto do jardim, um certo pôr-do-sol dourado, um sorriso de alguém dado como perdido.
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Outro escritor, o norte-americano Robert Fulghum recomenda não invejar a felicidade dos outros. Pois é totalmente falso que a grama é mais verde do outro lado da cerca:
” A grama é sempre mais verde onde é irrigada. Quando cruzar uma cerca, leve água com você e irrigue a grama onde você estiver”.
Em um de seus livros, ele escreveu que todas as lições que precisamos na vida são aquelas que aprendemos no jardim de infância. E relembra:
– Compartilhar sempre;
– Jogar dentro das regras;
– Arrumar o que desarrumou;
– Aprender e pensar um pouco;
– Desenhar, cantar e dançar um pouco;
– Brincar e trabalhar um pouco todos os dias;
– Dar a mão a alguém e ficar junto;
– Reparar nas maravilhas da vida.
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