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Um banco na Calle Chile

Hoje, 21, é o Dia da Árvore.  Ano passado, atravessando o playground da minha infância, a Praça da República, São Paulo, bati os olhos …

Hoje, 21, é o Dia da Árvore.  Ano passado, atravessando o playground da minha infância, a Praça da República, São Paulo, bati os olhos na figueira em cuja sombra eu descansava vendo o trabalho das formigas indo e vindo… M.A.

 

 

Eu acabara de gozar, em 1978, minhas primeiras férias na Rede Globo, e Aurea, a companheira, idem na IBM, onde está até hoje. Terminado o périplo Norte/Nordeste, fui intimado a não esquentar a cadeira, pois dias depois partiria para Rosário, Argentina, representando a Rede no Festival Ibero-americano de Publicidade – FIAP – e, ainda com a missão de conseguir que, dois anos depois, o Festival fosse em São Paulo, com patrocínio da Globo.

Mordomias VIPs e, para a gente ir completo, 100%, a cara-metade foi incluída.

Na chegada, a alegria do Luiz Celso de Piratininga Figueiredo – o Pira –, o amigo-irmão que se foi – nos aguardando na pista do aeroporto de Rosário.

Logo na primeira noite, a surpresa foi um jantar no Clube dos Pescadores, uma ilhota em meio ao Rio Paraná. Peixes numa cidade industrial, pescados no mesmo rio que recebe o Tietê, que há muito está podre (?!). Quem quiser, no trecho paulistano do Tietê, imitar a proeza de andar sobre as águas, não pode se importar que, em vez do sertão virar mar, o rio virou merda.

Abrir parênteses: o Tietê foi a primeira piscina de Maria Lenk, ainda com 10 anos de idade, em 1925, no mesmo trecho que teve no século 20 décadas de água limpa e da realização de regatas.  Às margens do lado Sul da cidade, nasceram dois clubes, hoje centenários: Espéria e Tietê. Pessoal: eu, fã incondicional da nadadora Maria Lenk, consegui que ela, em 1985, glorificasse, nadando, a piscina aqui da nossa aldeia. Fechar parênteses.

Mauro Salles, amigo de sempre, cumpriu com eficácia a minha missão de sediar o FIAP em São Paulo, dois anos depois. Mauro fazia parte do comitê organizador e abreviou o meu trabalho de forma taxativa:

– Relaxa, Mario, deixe comigo.

Deixei e dois anos depois, passei uma semana em São Paulo como anfitrião do proprietário e superintendente do Canal 5 TV Rosário, meus anfitriões na cidade argentina.

Encerrado o FIAP com baldes de champagne e cascatas de caviar, três dias de ócio em Buenos Aires, como bonificação, num 5 estrelas  que as circunstâncias exigiam.

Na saída do hotel, numa esquina quase na ponta de Calle Florida, uma banca de jornais exibia um livro da  Mafalda, com tudo que havia sido publicado com a personagem do Quino que se tornou uma referência argentina.

Quino – Joaquín Salvador Lavado – hoje com 78 anos e na luta contra um glaucoma, inseriu-se na relação dos grandes ídolos daquele país, como Gardel, Borges, Fangio, Guevara, Maradona e Piazzolla.

No bairro de San Telmo, em Buenos Aires, num banco da Calle Chile, a escultura de Mafalda sentada, espera, desde ano passado, minha visita para um bate-papo, ela que quase me mata por ataque apoplético quando, numa “tira”, rindo sem parar, a mãe explica o motivo: – Ela acabou de ler no dicionário o significado de democracia.

Inté.

 

Vitrine (comentários sobre a coluna anterior)

Muito grato, Mario, pelos registros históricos de tão caros amigos e, em especial, dos versos do inesquecível Vinicius. Abraços, José Carlos Pellegrino, São Paulo.

Bah, como é que te deixaram publicar um colunão? Longo, mas absolutamente justificado. Pátria Minha é feito para chorar de emoção. Tua coluna outro tanto, mas com um puxão de orelhas, por teres colocado meu e-mail. E ainda dei um puxão no Laurentino! Bah! mas ele, se for um bom escritor, o que me parece que é, vai entender, porque a coisa é polêmica mesmo. A coluna está uma glória. E então, é isso, o livro. O Camaleão. Se entendi bem, vai ser algo indescritível de bom. Diz à Denise que concordo com a saudade do tempo em que se amava a nossa terra. Do tempo em que Vinicius se permitiu escrever, apesar de que sua motivação fosse estar longe. Havia, principalmente nas escolas, uma forma oficial de se cultuar a pátria, mas que era genuína, se mantinha no plano da admiração. E agora, com nossas mentes tão individualizadas, com nossa ojeriza pela caretice e pelas aulas de “Moral e Cívica” (?) nem reúnem os alunos para comemorações no pátio da escola, é só uma hasteada da bandeira, com a gurizada olhando para o outro lado. Ah, deixa pra lá. Vera Verissimo, Porto Alegre.

Jovem Mario, bom dia: OURO ET OXIGÊNIO! Moisés Andrade, Recife.

Autor

Mario de Almeida

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