Descobri que ser feliz não requer muita prática e nem habilidade. Não é resultado de uma equação matemática elevada à terceira potência (se é que isso existe), não é produto de uma fórmula mágica e nem tem seu modo de funcionar detalhado em manual de instrução. E mais. Apesar de convivermos todo o dia com a felicidade, continuamos a procurá-la. Como se nunca o que nos dá felicidade já fosse o suficiente para encerrar a busca. Jogamos o peso da nossa felicidade no fim de semana ensolarado, no acerto na Mega Sena, na balada da sexta-feira, no namorido novo. E criamos enredos longos e enfadonhos para a felicidade.
Quando a magia da felicidade se encontra nas minúsculas felicidades do nosso dia-a-dia. No momento que o sol nos recebe com seus braços abertos ou que os pingos da chuva nos acordam estourando na janela. No calor do abraço terno da filha ao retornar de viagem ou no beijo matinal que ela deixa antes de sair, muito cedo, para o colégio. Na risada sem compromisso do bebê que reconhece o cheiro e a voz de quem lhe cuidou ou no cochilo gostoso que ele alcança no nosso colo. No ritual da programação de um passeio de férias ou no convite-relâmpago para apresentar meus poemas no Rio de Janeiro.
Juro por tudo que é mais sagrado, pela aparição de Nossa Senhora de Fátima, pelo sangue de Jesus, que tem poder: estou lúcida e no gozo de condições perfeitas das faculdades mentais (ai, que horrível). Traduzindo: não tomei nenhum alucinógeno e não misturei nenhuma substância no meu café. Apenas, entendi que não posso mais guardar sozinha o segredo da felicidade. Seria egoísmo não contar para vocês que a felicidade é feita de pequenas doses de alegrias maiores que nos embriagam. E pronto. Falei.
E, ao contrário do que diz a música cantada pelo Jota Quest, do Rogério Flausino e Wilson Sideral, um dia feliz não é muito raro. A gente é que complica. A gente é que não enxerga a felicidade. A gente é que despreza os momentos em que ela é nossa fiel companheira. O essencial é compreender que o sol ou a chuva, o carinho da filha, o reconhecimento do bebê e a viagem de férias nos deixam felizes. E abandonar de vez aquela ideia de conto de fadas de felicidade entregue num pote de ouro, para uma moça cheia de cachinhos amarelos e que se casa mais tarde com o príncipe mais lindo do reino. Fala sério.
Não quero provocar a sua inveja. Nem contar dinheiro na frente dos pobres. Mas eu sou feliz. Porque tenho uma casa para morar, ainda que alugada. Vivo com a melhor filha que existe no mundo, ainda que adolescente. Consigo dosar os vencimentos da licença-saúde e sobreviver no final do mês. Sou a dona do meu próprio nariz, e isso é muito bom depois dos enta. Tenho amigos fiéis que estão sempre ao meu lado e amigos que ainda prezo, mas estão afastados. Tenho uma base familiar onde posso me socorrer. Precisa mais?

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