Colunas

Um inté breve, pretendo

Da esquerda para a direita, Mario, Aderbal, Paulo José, Célia Costa e Domingos de OliveiraFoto: Caru Ribeiro/ Divulgação   — Em que pensa, cardeal?— …

Da esquerda para a direita, Mario, Aderbal, Paulo José, Célia Costa e Domingos de Oliveira

Foto: Caru Ribeiro/ Divulgação

 

— Em que pensa, cardeal?

— Em como é diferente o amor em Portugal!

Nem a frase subtil, nem o duelo sangrento…

é o amor coração, é o amor sentimento.

Uma lágrima… Um beijo… Uns sinos a tocar…

A Ceia dos Cardeais – Júlio Dantas

 

Pablito para a família e amigos mui antigos, Paulo José Gómez de Souza nos documentos e Paulo José na história do teatro, cinema e televisão brasileiros, no dia 10 de junho de 2010, no Museu da Imagem e do Som, na cidade do Rio, deixou um depoimento sobre a sua vida para a eternidade da memória nacional.

Na mesa, além do depoente e da coordenadora Célia Costa, os outros dois do trio Juventude – Aderbal Freire Jr. e Domingos de Oliveira – mais este representante da idade provecta como entrevistadores.

Quem não assistiu ao filme Juventude, de Domingos de Oliveira, com ele próprio, Aderbal e Pablito, deve passar numa locadora e gratificar-se. O filme é uma prova de que Fernando Collor de Mello, quando presidente, não só frustrou os eleitores do “caçador de marajás”, como fracassou também por não conseguir, como queria, acabar com o cinema nacional.

Juventude conta a história dos amigos que, na adolescência, representaram os três personagens de A Ceia dos Cardeais, clássico português em versos de Julio Dantas, cuja estreia, em Lisboa, aconteceu em 1902. Os amigos permaneceram amigos e, assim como os cardeais, encontram-se décadas depois. Juventude se passa nesse encontro, na suntuosa casa de um deles.

A lembrança dessa Ceia levou-me para 1956, Campo Grande, então um subúrbio carioca, atual distrito da Zona Oeste, onde, entre outras coisas, dirigi, para o Teatro Rural do Estudante, os espetáculos que inauguraram o Teatro Artur Azevedo e, ano seguinte, o Teatro de Arena (hoje Lona Cultural).

Assim como saíram ou passaram pelo Teatro de Equipe de Porto Alegre, Lilian Lemmertz, Nilda Maria, Fernando Peixoto, Paulo José, Paulo César Peréio e outros, saiu de uma caixa de banco, através do Teatro Rural, o ator de teatro, cinema e TV Rogério Fróes, que voltou, em maio passado, com o prêmio especial do júri do Festival de Audiovisual de Pernambuco, pela sua interpretação no filme Não se pode viver sem amor.

Creio que, até hoje, o principal colégio de Campo Grande seja o Belisário dos Santos, fundado em 1941 pelo advogado Hélton Veloso, um bem-sucedido educador.

Naqueles 1956, o professor Hélton, num papo descontraído comigo, falou-me de sua vontade de um dia representar um dos cardeais da Ceia, mas que, sem tempo para ensaiar, mais a formalidade pública que a época exigia de suas já muitas atividades e honrarias não aconselhava uma atitude como aquela.

Entendi e concordei com a colocação dele. Lembrei-lhe ser ele professor de Português e sugeri uma aula onde a leitura pública, por três intérpretes, fosse a ilustração de uma pequena aula de Literatura. Uns trinta dias depois, após ensaios, em noite de “casa cheia”, aconteceu a “aula”. Eu era o cardeal português.

As quatro horas do depoimento do Pablito atropelaram esta crônica que deveria ser de despedida temporária, depois de seis anos de presença semanal aqui em Coletiva.

Acontece que estou na reta final de editoração do meu próximo livro – Almanaque do camaleão –, a qual me ocupa e cansa muito e, em meados de julho, passarei 10 dias em Fortaleza.

Acertei com o diretor e meu editor em Coletiva, José Antonio Vieira da Cunha, que farei uma pequena seleção das mais de 300 colaborações aqui veiculadas – não datadas e, de preferência, as mais antigas – numa pretensiosa tentativa de não ser esquecido.

Quanto à Vitrine, um prazer que não me dá trabalho, continuará acolhendo os comentários do leitorado.

Inté.

 

Vitrine (comentários sobre a crônica anterior)

Caro Mário, morei em alguns pontos de Copacabana (repúblicas) em minha juventude, sempre desfrutando de sua magia indefinível, cada lugar com sua personalidade assumida. Sua descrição de momentos vividos fez-me reviver sentimentos adormecidos pelo tempo, e a saudade bate, mas como vc, sem lastimar. Abraços. Aderbal Moura, Rio.

Belas recordações de Copacabana… Sobre o fim da boate Help, um acontecimento curioso: na Atlântica com Praça do Lido, existe um bar chamado Balcony, há tempos ponto de encontro de damas-da-noite com seus clientes. Com o fim da Help, as meninas “desabrigadas” encontraram no Balcony seu porto seguro. Aconteceu uma superlotação de rameiras, e o bar passou a funcionar 24 horas por dia… Longe de me meter a ser geógrafo, acredito que, hoje, o Balcony tenha uma das maiores concentrações de putas por metro quadrado… Abração, Gustavo  (Borja Lopes), Rio.

Belíssimo, meu querido Mario. E olha que você morou tão perto de mim e a gente nunca se encontrou por aqui. Moro na Mascarenhas de Morais, 89, quase esquina com a Barata Ribeiro, há mais de 50 anos. Zum,zum, Beco das Garrafas, Churrascaria Jardim, etc., tudo isso fez parte também da minha vida. Beijos. Isnard (Manso Vieira), Rio.

Mário, suas crônicas são como LSD. Uma viagem… Roberto (de Jesus Castro), Rio.

Du.ca a crônica. Tua memória é demais. Eu com sessenta já ando enchendo minhas conversas de “coringas” (depois a gente limpa esta canastra!), fico admirado com a precisão. Em tempo! O projeto do Museu da Imagem e do Som até eu faria… basta ver o resultado de uma latinha amassada, com o pé, na vertical. Abraços ao amigo. Alfredo Gonçalves, Quorum Editora, empresário, Rio.

Autor

Mario de Almeida

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.