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Um livro é um espelho

      Levar para casa um livro é refletir-se em um espelho. Os ansiosos por mistério levam histórias policiais; os iniciados nas lides da essência, a …

      Levar para casa um livro é refletir-se em um espelho. Os ansiosos por mistério levam histórias policiais; os iniciados nas lides da essência, a poesia; e os artistas e pseudos (existem muitas categorias) levam a arte, a fotografia e o fascínio visual. Três dicas fazem a clônica de hoje.

      Gaia, de Daniel de Andrade, codinome Reginaldo Farias. Com tanta simplicidade nos rostos infantis, é como lembrasse a gente de que para conseguir um sorriso no rosto de uma criança não é preciso levá-la ao shopping ou comprar-lhe algo. Um salto lúdico congelou nas fotos e em nossa memória. A felicidade espontânea brota ao sol do Amapá. As fotos e os textos trazem um calor afetuoso, do qual temos apenas uma vaga idéia.

      Outro livro-encontro foi Memórias de Xico Stockinger. Ter convivido com ele em um universo paralelo: na mesma cidade, mesma área (de arte), mesmos lugares é bem diferente de ouvir o artista contar. Seu livro traz Xico para dentro de casa. Sei agora. O silêncio em que vive o escultor não tem retorno. E fico a imaginar o tempo interminável e ensurdecedor que o acompanha de forma tão amigável, “como se estivesse permanentemente em uma fazenda”. A presença e a aproximação de um artista depura o ambiente pesado do cotidiano, mesmo o da arte aplicada.

      O terceiro, ainda não comprei. É de Armindo Trevisan: Como apreciar a Arte. Tendo sido sua aluna, sei o que está por vir. Trata-se do próprio fruir, de forma complementar e didática, apontando como sentir, o quê perceber, exercitando o prazer de acompanhar a criação.

      Lunara, de Eneida Serrano completa as leituras visuais da semana, fechando um quadro de quatro em promessa de três. Poesia visual de 1900, incrustada em pedaços de vidro. Ficamos com vontade de ter vivido a Porto Alegre bucólica e, por vezes, sofisticada. E por falar em 1900, a já-saudosa exposição parisiense no Margs valeu a fila ao sol irado. Principalmente o design de jóias. Desenhos minúsculos e superdefinidos provam que o mundo inteiro cabe em um papel 5×5, ou em alguns minutos frente a um quadro ou a um livro.

      O fim da Feira do Livro em Porto Alegre trouxe a chuva e com ela o fim desta clônica lacônica.

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Autor

Clo Barcellos

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