Sabe aquelas pessoas com as quais a gente tem uma ‘liga’ desde o primeiro momento? Com Alberto André foi assim. Fui conhecê-lo ao visitar a sede da ARI, a Associação Riograndense de Imprensa, pela primeira vez, no início de 1969, para agradecer a oportunidade de ouro que recebera: uma bolsa de estudos para cursar Jornalismo na Famecos. Naquela época a ARI tinha direito a indicar para bolsista um estudante do interior, e fui premiado com o presentão. Dr. André não quis saber de agradecimentos, ao contrário, na breve conversa com aquele jovem com menos de 20 anos se dedicou a desfilar palavras de estímulo e confiança.
Não imaginava que dali pra frente haveria vários momentos de convivência com a figura que já era, provavelmente, o mais respeitado jornalista de sua geração, com uma trajetória que incluiu ser também vereador, historiador, escritor, advogado, professor, e, como presidente da ARI durante mais de 30 anos, um exemplo de ética e responsabilidade. Foi líder na sociedade, com atuação notável em todas as áreas em que se envolveu, fosse jornalismo, política ou cultura. Nesta última, deixou pelo menos dois legados históricos, fruto de seu empenho por suas batalhas: o Museu de Comunicação Social Hipólito da Costa e a Casa de Cultura Mário Quintana, quando era representante da ARI no Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre.
Seu Ari, como em certos momentos era confundido, tal era sua identificação com a entidade, tinha muita responsabilidade mesmo: do alto de seus pouco mais de um metro e meio, era um gigante ao enfrentar os desatinos com que os anos de chumbo da ditadura militar desafiavam diariamente a sociedade brasileira.
Naqueles momentos delicados enfrentados pela Cooperativa dos Jornalistas, com perseguições e prisões de profissionais do Coojornal, tive em Alberto André um aliado de primeira hora e participativo sempre que o procurava, comprometendo-se desde o primeiro momento com a causa apresentada. Junto com o então presidente do Sindicato dos Jornalistas, Antônio Oliveira, me acompanhou num nervoso, tenso encontro com o superintendente da Polícia Federal, um medíocre chamado Macksen de Castro. Às evasivas do superintendente, quando confrontado com os atos de atentado à liberdade de expressão praticados por seus agentes (episódio que já relatei aqui, quando pressionavam os anunciantes do Coojornal), André era impositivo em suas argumentações. Na verdade, só sua presença e o prestígio que trazia já eram uma valiosa demonstração do apoio que nos dedicava naquela situação delicada.
Foi assim em todas as oportunidades em que procurei aquela figura generosa, sempre atenciosa e amável. Há mais, muito mais, a exaltar sua participação, mas estes exemplos bastam para demonstrar quão importante é considerada a homenagem que recebi, junto com outros 10 profissionais do Jornalismo gaúcho, materializada na Medalha Alberto André. Como afirmei no evento, o simbolismo de seu nome na medalha era precioso, visto que Seu Ari teve como nortes inarredáveis a ética e a responsabilidade profissional, princípios tão ricos e imprescindíveis ao verdadeiro jornalismo
Por tudo, vale exaltar: Alberto André foi um herói para gerações de jornalistas. Obrigado, ARI, pelo prestígio da honraria.

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