Faz oito anos que o futuro do Brasil apontou para baixo. Depois de sair o regime de exceção, houve um período no qual o processo inflacionário foi domado, o Estado parou de agigantar-se e a confiança no Brasil cresceu no mundo.
Em 2002, entramos num período de trevas, o novo Presidente, despido de qualquer resquício de ética, devolveu-nos à era do Estado grande, com gastos públicos crescentes e ações focadas na lógica de Stanislaw Ponte Preta: “Não deixar a onça com fome, nem o cabrito morrer de sede”. Daí, a estratégia de privilegiar uma política de juros elevados e os programas sociais voltados à perpetuação da subcidadania.
Para mostrar o tamanho da diferença entre fatos e versões, examinemos a educação, um dos campos mais incensados deste governo. ENEM, cotas afirmativas, novas universidades e pró-unis fazem parte da fachada ideológica do lulo-petismo.
Tal como numa cidade cenográfica, e aqui escreve alguém que está na sala de aula do ensino superior há quinze anos, a capacidade de solução de problemas dos estudantes é cada vez menor. Horizontes mentais que, muitas vezes, não passam do céu da boca.
Uma pantomima que trata de tudo, exceto de dar formação efetiva aos que não têm condições de buscar um bom ensino fundamental e médio.
Na carona, implantou políticas para incrementar o preconceito racial na sociedade; industrializou, através do mensalão, a corrupção; e, que vergonha, fomentou o apoio da diplomacia brasileira às mais sanguinárias ditaduras do planeta.
Agora, estamos diante de uma nova eleição na qual, graças a uma política esmoleira, até um tamanduá-bandeira, sendo candidato do governo, teria grande possibilidade.
É mais fácil achar um ovo frito dentro de um Big Mac do que visão de longo prazo no voto médio do brasileiro.
O voto petista e adjacente vem de várias fontes: dos miseráveis, que continuarão miseráveis por falta de políticas de desenvolvimento; dos cartéis econômicos que se locupletam; dos funcionários das estatais, que quanto mais pioram seus resultados, mais privilegiam suas corporações; e, finalmente, dos inocentes úteis, cada vez mais crescentes.
As pesquisas indicam poucas possibilidades da oposição, o que é uma péssima notícia, mas que não diminui sua importância no processo.
A candidatura Serra adota uma estratégia de, tendo em mente a popularidade do desqualificado presidente, não ataca suas fragilidades e deixa de defender suas crenças, criando uma substância coloidal que a nada levará.
Ainda que se perca esta eleição e tenhamos a vitória do menos preparado ser vivo a ocupar a presidência da República da nossa história – pois lhe faltam peso político e currículo de verdade (com o perdão do trocadilho) –, a hora é de conscientização, de resgatar os aspectos positivos do governo de FHC, que se não foi uma maravilha, foi muito melhor do que o que está aí.
Há que mostrar o atraso a que esta gente está condenando o Brasil.
Se a derrota é provável, que venha com a defesa de convicções. Ou elas também estão em falta?
Das arábias
Porto Alegre das carroças, da falta do metrô, do fumo em ambientes fechados e do “sempre tranque o cruzamento”, acaba de se transformar na capital americana do futebol.
Parabéns, Internacional!

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