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Uma nova oposição

Se as pesquisas não estiverem mentindo, o resultado da eleição presidencial no Brasil está definido. Apesar de que, achar um eleitor de Lula que …

Se as pesquisas não estiverem mentindo, o resultado da eleição presidencial no Brasil está definido. Apesar de que, achar um eleitor de Lula que consiga ler, e entender, um texto com mais de dez linhas seja digno de uma tarefa de gincana, o páreo parece que está corrido.

Se o Velhinho lá de cima não estiver reservando algo de “menos pior” para nós, serão mais quatro anos de mentiras, crescimento pífio, corrupção e demagogia.

Muito se tem escrito e dito para explicar o fenômeno. Atribui-se ao próprio instituto da reeleição, a traições, à falta de entusiasmo na campanha, às bolsas-família, ao erro na escolha do candidato de oposição, entre outros elementos, para justificar a permanência de um presidente que passou quatro anos cercado pelo maior mar de lama da história da República. Cercado, é? Tá bom!

Há, no entanto, um fator que não é mencionado nas análises e que precisa ser repensado pelos políticos de certo matiz no Brasil. O pacote apresentado pelos candidatos é uma grande “geleca”, todos parecem ter medo de enfrentar interesses organizados na busca do bem maior. Todo mundo critica a carga tributária, que na verdade é absurda, porém, falta coragem para atacar a desfaçatez com que é desperdiçado o recurso público.

Um exemplo disso é a tal universidade federal criada na metade sul do Rio Grande do Sul; na verdade, a estatização de uma instituição falida. Beira à indecência o fato de que num país que tem graves carências na educação básica, assista-se à criação de um novo cabide de empregos voltado à educação superior. Não há, entretanto, político com coragem para discursar contra o absurdo; infere-se que seria uma afronta à opinião pública.

Outro caso é o do astronauta brasileiro. Para observar o crescimento de um grão de feijão e o conversar do espaço com o “Nosso Guia” sobre a campanha do Noroeste de Bauru no campeonato paulista de futebol, foram para o espaço 25 milhões de reais. Para ter-se uma idéia do significado deste número, ele é igual ao custo de duas mil casas populares ou ao investimento feito em segurança pública por certo Estado da federação, nos últimos quatro anos. Mais uma vez, poucos se insurgiram contra. O agendamento positivo do tema, feito pela Rede Globo, teve mais força.

Não se está aqui pregando uma oposição que dê murro em ponta de faca, porém uma responsabilidade maior com o longo prazo.

O Brasil precisa de uma oposição que se posicione sobre um conteúdo programático, marcando posição e mostrando a inconsistência das ações do governo.

Votar contra o governo não pode ser uma missão em si, houve ocasiões nas quais as propostas que foram ao Congresso iam ao encontro do projeto oposicionista. Foi o caso da reforma da Previdência, que só não foi mais ampla e podadora de privilégios por culpa de demagogos oposicionistas de plantão.

Neste sentido, houve no Brasil um partido-modelo. O PT, aquele que não existe mais, tinha atitude de oposição, abraçava causas e posicionava-se. Só faltava acertar as causas.

O Brasil clama por um partido que defenda a livre iniciativa, o empreendedorismo, o direito de propriedade, a diminuição do tamanho do Estado e a responsável gestão do erário, em qualquer circunstância. Um partido radical como foi aquele PT, porém respeitando a democracia e buscando o poder através dela, e só dela.

Ao contrário das soluções esquerdizantes, que não encontram modelos bem-sucedidos no planeta, o caminho oposto foi trilhado por várias nações nos últimos trinta anos, havendo muitos exemplos de sucesso e, até mesmo, de enriquecimento de países.

Liberal, neoliberal, de direita, não importa o rótulo. É preciso coragem para começar.

A reforma política que está por vir será uma grande oportunidade.

Autor

André Arnt

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