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Uma páscoa bem doce para todos

Coelhinho da Páscoa de sobreaviso aguardando o momento ideal de entrar nas casas daqueles que ainda guardam alguma ternura para deixar um gosto de …

Coelhinho da Páscoa de sobreaviso aguardando o momento ideal de entrar nas casas daqueles que ainda guardam alguma ternura para deixar um gosto de chocolate na memória de todos. Mamães (sempre elas) comprando talco de preço reduzido nas farmácias para imitar as pegadas dos coelhinhos sapecas no chão até o destino final das cestas repletas de guloseimas. Crianças vestidas de ansiedade esperando o domingo chegar para ver quantos ovos ganharão de Páscoa. Porque a quantidade, nos casos em que o dinheiro permite, depende do bom comportamento. Adultos fazendo filas nos supermercados para levar um peixe de qualidade e preço atrativo para a mesa da sexta-feira Santa.

Impregnada destes sinais de Páscoa, que mesclam o lado pueril que ainda persiste em alguns de nós e o consumismo que invade sem piedade as nossas rotinas, escrevo esta coluna antes de mergulhar nas prateleiras dos supermercados para comprar os ovinhos para os pequenos da família. E para a minha filha Gabriela, que continua sendo e sempre será a minha pequena criança a exigir de mim os cuidados essenciais a sua sobrevivência. Porque para uma mãe que se preze, os filhos são seus eternos bebês.

Com a imaginação correndo solta (mas que baita clichê este, heim?) lembro de anos anteriores em que a Páscoa era comemorada fraternalmente por todos os membros da família – irmão, mãe, sobrinhos e afilhados. Hoje, o tempo impiedoso levou alguns e outros fazem programas menos familiares. Recordo da minha ingenuidade em esconder o ninho da Gabriela nos locais mais fáceis de encontrar e jurar para a pequena que o próprio coelhinho havia entrado, pé ante pé, na nossa casa, durante a noite para fazer aquela  Nos dias atuais, a Gabriela já está crescida e não se compromete mais com o coelho de que passará a comer mais verduras e legumes nas refeições.

Bons tempos, direi eu, completamente saudosista. Cenas do passado que povoam a minha memória, direi eu, sabiamente melancólica. Desejo confesso de parar o relógio, aqui, neste instante, direi eu, refletidamente apegada aos domingos ensolarados em que todos da família se reuniam depois do almoço para saborear os ovos de chocolates que enfeitavam os ninhos das crianças.

Por conta das minhas lembranças e inquietações do presente e do passado, desejo uma Páscoa doce e achocolatada para todos. De carona na música do Geraldo Vandré, desejo, principalmente, um bom feriado para aqueles que ainda fazem da flor seu mais forte refrão e acreditam nas flores vencendo o canhão.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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